quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Poema 166 - Vai Fundo

Homem, se ela te disser
Vai fundo! Não esperes
Embriagado ficará teu ser
Feliz, pelo mundo teres

Homem, tolo apaixonado
Nem bem o dito terminado
Entregas-te a guilhotina
Implorando mais da heroína

Homem, covarde a temer
Ouvir, já és desprezado
Em seu mundo, em seu prever

Mas não eximo-te a culpa, mulher
Desses bilhetes vomitados
Teu prazer de flor sem pé

Poema 165 - Adão Sonhador

Lá estava Adão
Sentado no Paraíso
Não tinha frustração
Seu rosto puro riso

Eva chegou reclamando
Desse jeito não podia
Adão vivia sonhando
Precisa de mais rebeldia

Adão, jovem sonhador
Não entendia dessa prática
Sonho e ação, é sua tática

Mas ouviu sua mulher
Comeu a maçã com grande dor
Mas o sonho, ele ainda o quer

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Poema 164 - A Rota

De passo em passo
A verdade é uma só
O caminho é um fardo
A estrada é uma mó

Quem sabe o peso
Que carrego a dias
Desse olhar, meu guia
Silvo e ensejo

Pés doídos, cheios
Da estrada me alheio
Ir avante? Não sei

Passos vagos, sem lei
No fim, pó das rotas
Cego de várias botas

Poema 163 - A Roda

Gira a roda afoita
Aonde irá? Ficará?
A roda (viva) se acoita
Vão-se os dias, viverá?

Na estrada, percalços
Romperam os atilhos
Vieram os gatilhos
A roda, em remorsos

Começo e fim da roda
Coitada, tão fora de moda
Pregos e retalhos

Cinzalada sem afinco
Estrias de zinco
Na esfera de aço

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Poema 162 - Mente Vazia

Branca é a mente
Mente em preto
A cor, mero arremedo
Vazio da alma da gente

Desse estado autômato
De dias em sucessão
Das tarefas sem conclusão
Da vida presa em atos

Mente vazia, atos cheios
Pensamento sem freios
No vazio dos dias alheios

Segue a vida assim lotada
A mente branca embotada
A mente negra privada

domingo, 25 de maio de 2008

Poema 161 - Primordial

Mesmos capítulos e ainda assisto
Sentir tudo de novo do novo
Não, não sou eu quem insisto
Este novo não é meu fosso

De forma alguma prisão
É o novo em repetição desigual
Como se fosse a vida, fractal
Com a parte e sem o todo da fração

Já vivi, vi e experimentei
Não me canso, não me enfado
Não há tédio ou melhorado
Neste novo que já me deliciei

Novo é novo, mesmo velho
Mesmo outra vez e mais uma
E gosto que me volto e quero
Mais desse velho, gostoso tal pluma

Ah, novo, velho, radial
Nunca mesmo, será igual
Já vivi e te viverei
Primordial, é, eu te bem sei

sábado, 15 de março de 2008

Poema 160 - Dá e Passa

Quem nunca teve vontade de rir
Na multidão, a boca sozinha ir
Motivo? Motivo algum
Achando isso algo comum?

Quem nunca quis chorar
Ao ver a solidão chegar
Mesmo entre amigos
Ou flechado por Cupido?

Quem controla o coração?
Vontades que vem e vão
Bipolares. Sorrir; amar; matar

Enganam com véus à razão
Não aceitam ninguém como par
Filhas internas da comoção