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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Poema 266 - Correr



28/10/2010 - 13:50

Aquela vontade de gritar
De correr e nunca parar
Quem entende o desespero
De não se conter por inteiro?

Quando a mente não mais responde
Quando não se sabe quando ou aonde
E tudo é vão e ilusório
E o sofrimento compulsório

E sua própria mente te engana
Diz que é o que não existe
Em uma fuga onde tudo é triste

E sua estatura jaz tacanha
Não enfrenta o mal que persiste
Quem ajuda o que desiste?


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Poema 248 - Coração Obstinado



21/12/2009 - 13:35


Mais uma vez ocorreu
o coração endureceu
a mente obstinou
vagamos em horror

porque fazemos por querer
por vontade e desejo
não escolhemos merecer
seguimos a combatê-lo

outra vez, e outra e outra
cometemos os mesmos erros
mesmo quando a vida aponta

porque decidimos cometê-los
já que todo caminho é escolha
novos erros, novas folhas


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Poema 244 - Noites Repetidas


08/12/2009 - 23:45

Nessas noites repetidas
O contexto é sempre o mesmo
Continuar indo adiante
Sem parar, sem refrescar

Quem entende essas idas?
Pode o andar ser a esmo?
É preciso mudar, doravante
Não se pode mais se testar


Mas sem teste e polimento
Essas noites, não lamento
O teste em si é prosseguir

Achar sentido, não se mentir
Nessas noites repetidas
A vida, não se acha perdida

Poema 241 - Enlace de Sangue


00:01 - 20/11/2009

E entre as asas, foi-se
Não por querer ou ser
Apenas por precisar
Não saberia não doar

Mas todas as paredes rijas
Ação-reação, aleija-alija
Entre o sofrer e mais sofrer
Escolheu continuar a ser

Em suas asas, puro sangue
Enlaçadas na vontade
Despediu-se, como antes

Ir longe não podia
Acreditava em liberdade
Respingou-se já fria

quinta-feira, 3 de março de 2011

Poema 238 - Cíclica


14/10/2009 - 20:37

...porque a desconstrução
processo inerente do criar
é inversa a destruição
inerência entrópica de estar

...porque estar é transitório
ação passageira da vida
inverso do fixar satisfatório
fruto da recompensa devida

...porque devemos sempre
somos coisas a cumprir
inverso do descaso da mente

...gerador de todo ruir
em tempos, essência positiva
da desconstruição primitiva

Poema 237 - Sonho e Rota


13/10/2009 - 20:27

...e minha paixão me cegou
saí da jornada por instantes
frio ou calor, quase me tombou
eu estava louco e discrepante...

...mas antes de você se meter
a desviar-me da minha rota
eu já estava dela fora
abandonara o sonho, meu descrer...

...e duplamente des"rotado"
puxaste-me por teu bom grado
e apontastes a estrela distante...

...e a rota tão escura, clareou
o sonho a meta reincorporou
na jornada, seguir sempre adiante

Poema 236 - Risco


13/10/09 - 19:13

Foi como o previsto
O plano ocorreu
Mas a vida incorreu
O plano ficou malquisto

Mas é preciso ter foco
Ser fanático pelo objeto
Sem tornar-se abjeto
Cai a ficha, me toco

Sem amores ou sabores
Sem distrações ou cores
Seguir o plano é a meta

Dirão que perco muito
Grande risco, ganho fortuito
Na dificuldade, sou asceta

Poema 235 - Pedido


13/10/2009 - 12:12

Fiz um pedido, recebi
Ei-lô realizado
Por que meu desagrado?
Porque não te senti...

Quem pede se arrisca
Mas tudo conspira
Quando se inspira
Para pedir à risca

Mas pedidos, sim e não
Cara ou coroa, sem razão
Porque te quero resposta

Mas resposta como quero
Não bater na fechada porta
E ficar com a cara em ferro

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Poema 223a - Considerações Sobre a Paixão Revisitado


16/02/2011 - 19:56

não tinha meu agrado
nem sorriso ao seu lado
mas tinha algo bravo
naqueles olhos raros
a loucura da vontade
da vida de verdade
que arrebata e devora
quem serve-se por fora
e escapa-se a lembrança
apenas brilho e dança
daqueles olhos, é herança

Poema 222 - Epifania Mariana, Epifania


20/07/09 - 01:38

...e de repente, ela abriu os olhos
foi uma surpresa, em meio a multidão
um desatino no corpo, na alma, explosão
uma epifania, cobriu o corpo em óleos

...e sem demora, o mundo coloriu-se
tantos fragmentos, encaixaram-se
a tortura de longos anos, passará
foi tão simples, enfim, sangrará

...e sem alarme, a pressão desfez-se
afinal, o turbilhaõ de sentimentos
precisa ter vazão, sem mais lamentos

...e agora ela? Ela perguntou-se
o que fazer com as peças brilhantes
o único jeito, é trilhar adiante

sábado, 4 de julho de 2009

Poema 194 - Matéria Inóspita


Tentei escrever-te em poema
o que sinto, mas minha pena
Não pode prender-te, liberdade
Pois és fruto da alma e da verdade

Pois a liberdade sincera e amada
Está pelo corpo fixa e entalhada
Move-se em derredor como vento
E nos carrega além do tormento

Ainda que questionem a verdade
De ti liberdade, quero herdade
Pois sem ti, sou carne e perdição

Ainda assim, não poderei dizer-te
Pois impossível à matéria render-te
Alegro-me, assim, sentir-te, tal canção

Poema 193 - Vento Entalhado


Disseram-me sobre liberdade
Coisas várias, questionadoras
Pisaram minha alma já em mocidade
Apontaram para o umbigo, amadoras!


Subjugaram minhas idéias
Questionaram o certo e o errado
Quiseram afastar-me com regalo
Inventando brios e panacéias

Mas antes do tempo ser tempo
Foi gravado em mim a noção
Que o absoluto é vento

Percorre meu corpo em canção
Pois ouço no meu ventre em mármore
Essa seiva, entalhe de árvore

Poema 192 - Asas


Porque podem atar nossos corpos
E esmagar nossas fímbrias e ossos
Ainda assim não estarei cativo
Pois fiz a escolha, fui ativo

Decidi a tempos não estar limítrofe
Envolto em carne e ligações teciduais
Liberdade! Estás aquém das rédeas carnais
Pois é da alma o reino livre da fé

Com a escolha da alma e da mente
Decidi por Deus, crescer e ser vivente
Alma, livre, pois é sopro e pó

Pois preso ao corpo, vive-se de momento
Mas a liberdade é justa, sem tormento
Minhas asas são fé, sem dor, mó ou dó

sábado, 23 de maio de 2009

Poema 187 - Vazio


... e na busca das alegrias
banhei-me em carnes e sangrias
da alma e do corpo, em uma busca
que me fez percorrer estrada tosca

entendi dessas alegrias efêmeras
em nada me saciaram, ao contrário
esvaziaram, tal poço sem fundo ou beira
de cerne vazio e precário

... e suguei a tudo e todos, intenso
intenso na busca, nos recomeços
para tapar o vazio que se fez imenso

pois vazio que não se cura, cresce
metastasia a alma, na pele floresce
é alegria falsa, alegria de tropeço

domingo, 10 de maio de 2009

Poema 177 - Luxúria


Luxúria, luxúria degradante
Teu vinho envenena minha alma
Tua mistura suga a minha calma
Luxúria, nos poros inebriante

És tu musa da carne e do sal
Das aves do céu que querem só meu mal
Quem és tu luxúria, luxúria intoxicante
Vindo devorar-me em cada instante?

Musa do Caos, Tira teu dedo em riste de mim
Tira tua face da minha frente, não te quero ver,
Pois sei, vejo-te musa, meu espelho sem umbral

Tu és Luxúria, luxúria de fogo, fígado e rim
Queima, tortura, seduz pelo teu próprio prazer
Não sou essa carne e sangue, vai-te musa infernal! 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Poema 157 - Demolição

Vem tal qual morfina
No meu corpo recrimina
A lenda da vil paixão
Do meu peito beberrão

De quem caiu em sonhos
Com o enjôo no estômago
Com esforço, recomponho
A fonte da vazão, o âmago

Mas sem sentido e sem forma
À alma sem corpo, jaz morta
Sem processo ou construção

Estática, segue sem norma
São sementes sem uma horta
Da alma em eterna demolição

Poema 154 - Capacitância Emocional

Sinto, penso, existo demais
E ainda assim busco o equilíbrio
Queria ser intenso em desequilíbrio
Porque somos capacitores emocionais
Prontos à explodir liberando toda a energia
Me viciei nisso
Não minto, já fui omisso
Mas sentir é suprema elegia
Agora vago do prazer à dor
Da paixão à solidão
Enlameando-me na emoção
E quero mais, quero tudo
Não posso parar
Não quero parar
Não pararei
Isso eu juro

sábado, 22 de dezembro de 2007

Poema 147 - Alucinação II

Estou doente, cabeça pesa
São correntes, corpo sem pressa
São descrentes, não ouvem a reza
Estou doente, o corpo é presa

Não entendo, alucinações
Não percebo, determinações
Não renego, deturpações
Não quero, degringolações

Doente, doente, doente
Os duendes e as borboletas
Da loucura dessas marretas
Em minha mente displicente

Cura? Aonde o remédio
Cura! Rápido, o sortilégio
Cara ou coroa? Já perdi
Nem doente, me remi

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Poema 137 - Circunvoluções

Eu caminhei por mil caminhos
Em todos voltei ao início
Um viajante sem patrícios
De estradas sem destinos

Vagei em círculos a esmo
Buscando preencher o cálice
Da minha alma, meu desprezo
E lá, perdido entre álibis

Me vi sozinho, solitário, sem sentido
Arranquei meu passado pervertido
Fiquei vazio, mas leve e preenchido

Os círculos tornaram-se pedregosos
Retas tortas dos obstáculos leprosos
De escolhas e certezas enraizantes
Ainda que tímido, caíram os figurantes

É preciso agir, agir com cautela
Com visão e meta, se cancela
A dor? Ah, a dor! Essa faz parte
É vital, sentida, quase uma arte

Fugi de ti, como de tantas coisas
Fugi da vida e das decisões dela
Corri gritando minhas mazelas
Emudeci, escondido entre moitas

Fui encontrado pelas sombras
Minhas próprias, de vozes e coloridos
Farrapos de caminhos corroídos
Mordido por si mesmo, o Poeta tomba

Perdi assim a primeira prova
Agora a vida me cobra em exame
Bem-feito! Pedi meu próprio vexame
Agora, desiste Poeta e reprova!

Não! Não mais! É disto que é feita
A vida. De viver o que não se quer
De aceitar a areia na sola do pé
De curtir as bolhas sem receitas

sábado, 20 de outubro de 2007

Poema 127 - Endócrino


Célula a célua, primeira comunicação
Boca-à-boca, no começo da civilização

Célula nervosa, comunicação à distância
Telégrafo, da cidade à estância

Neuroendócrino, da cabeça ao meu pé
Telefone, agora minha boca bota fé

Endócrino, meu corpo a longo prazo
Internet, expandindo até o espaço

Teoria do ponto único, espaço unificado
Droga, meu corpo ainda está confinado

Chega de me comunicar por células
Vou ficar conectado