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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Poema 266 - Correr



28/10/2010 - 13:50

Aquela vontade de gritar
De correr e nunca parar
Quem entende o desespero
De não se conter por inteiro?

Quando a mente não mais responde
Quando não se sabe quando ou aonde
E tudo é vão e ilusório
E o sofrimento compulsório

E sua própria mente te engana
Diz que é o que não existe
Em uma fuga onde tudo é triste

E sua estatura jaz tacanha
Não enfrenta o mal que persiste
Quem ajuda o que desiste?


Poema 262 - Choro Vazio



26/10/2010 - 13:28

Choro, choro sem fim
como sempre, outra vez
Quem entende, insensatez
Corpo que por si se diz

Sem motivo ou razão
Um sopro ou luz ou vazão
Estoura e racha e vaza
Adeus, dias certos da casa

Choro, choro sem lágrimas
Choro no peito já vazio
Quem percebe tuas grimas?

Quem satura teu vazio?
Quando o choro te esvai
Quem preenche teus anais?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Poema 249 - Não mais fugir



24/12/2009 - 23:50

...e eu quem nada sou
que tanto pensei ser
fui salvo sem merecer
apenas porque Ele amou

...e mesmo salvo, pedra
ferro, mármore, eram regra
no corpo, na alma, na mente
Teu é o formão, solene

...e como criminoso, chorei
não quis, mesmo querendo
pedi, supliquei, mesmo sofrendo

porque luto contra a carne
perco alguns dias, eu sei
mas me moldas, em detalhe

Poema 248 - Coração Obstinado



21/12/2009 - 13:35


Mais uma vez ocorreu
o coração endureceu
a mente obstinou
vagamos em horror

porque fazemos por querer
por vontade e desejo
não escolhemos merecer
seguimos a combatê-lo

outra vez, e outra e outra
cometemos os mesmos erros
mesmo quando a vida aponta

porque decidimos cometê-los
já que todo caminho é escolha
novos erros, novas folhas


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Poema 245 - Lágrimas de Poeta


11/12/2009 - 00:00

...e eu chorei por tantas noites
até as lágrimas serem areia
restando na alma, só açoites
nada é, nem que eu queira

... e desejei tanto, busquei
meus caminhos perdi, mas tentei
e o choro tornou-se amargo
e o sorriso, falso e largo

...enganei-me, até ser deserto
meu corpo e alma, sem rumo certo
só as lágrimas, minha rota

...o poeta, em plena derrota
pois é assim o destino
choro constante e repentino

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Poema 220 - Insano II


12/07/09 - 02:16

Meus olhos não estão bem
Minha mente está febril
O mundo nada mais tem
Tudo está longe e frio

Quando a Terra para
A lentidão toma conta
A visão insana esbarra
No corpo toma conta

Você está na multidão
Mas ninguém se move
Pode tocar, mas não se comove

Porque você foi quem parou
Criou sua própria prisão
A vida, foi você quem piorou

Poema 218 - Jogo de Novo


12/07/09 - 01:43

Então você escolheu brincar
Jogar entre o caos e a ordem
Pensou que seria fácil criar
Chutar a vida, como pode?

Pensou em escolher uma outra roda
Que as trilhas eram todas iguais
Pensou errado, amigo, digo mais
Não se pode ter as cartas todas

Então, você brincou outra vez
Se queimou, quase morreu
Agradeça, fostes mais feliz que eu

O jogo é divertido, interessante
Mas só há chance para um talvez
Enfim, amigo, é só queda doravante

domingo, 6 de dezembro de 2009

Poema 205 - Fugas

A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Não peça desculpas, isso não corrije o passado
Por isso não faça nada que possa dar errado
Seja estático, jamais mude
Passividade deveria ser virtude
Não reaja, não sinta
Deixe quieto, que para você algo pinta
Desista dos sonhos, não corra atrás
Pois se perseguí-los, não serás capaz
De realizá-los e dar ao espírito, paz
Fuja, fuja sempre
Não acredite em ninguém, todos mentem
Não se abra e não confie
Não desabafe, filosofie
Não crie, você não pode
Não deseje, não persiga
E lembre sempre, desista, desista
Cante um hino, crie uma ode
Mas só fale de fugas ou de mortes
Seja vão, seja vago
Não seja sério em um diálogo
Se feche, se defenda
Crie em torno de sim uma grande tenda
E tenha medo, muito medo
Se encolha e nunca esqueça
Jamais levante um dedo
Nunca ajude, nem se envolva
Pois só se bate a cabeça
Se feche, se feche bem
Desista que alguém te ouça
Não peça ajuda a ninguém
E se tranque, se tranque bem

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Poema 201 - Desejo


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Se me dessem um desejo para o mundo
Pediria igualdade social
Se me dessem um desejo à mim
Paz de espírito para aliviar o mal
Se me dessem um desejo de mim para os outros
Consertaria meus erros
Demonstraria aos outros maior zêlo
Ser sentimento perceptivo
E acabar com o egoísmo passivo
Abandonar a razão
Pois só me trouxe perdição
Abandonar a Esfinge
E desistir do caos
Mesmo que me tornasse irreal
Um ser que ao mundo só finge
Mas tudo que quero desses desejos
É fugir de mim
Fugir dos erros, o maior dos anseios
Melhor seria um pequeno curumim
Começar do zero, ressair do ovo
Sem erros, em um mundo novo
Paz de espírito e sem mais erros
Sou covarde, mas é este o maior de todos os desejos

Poema 199 - A Luz na Cama


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Pai, no mar da ignorância era feliz
Pois ao meu redor tudo eram trevas
Meu lar, meu corpo, meus pensamentos
Mas na lama do desconhecido
Não se sabe que se é feliz até não mais sê-lo
Se era feliz, pai, por que então me mostrastes
A luz?
A luz com sua beleza
Por quê?
Eu, feito de trevas
Tentei abraçá-la, tê-la, ser feito dela
Mas as trevas não são a luz, pai
A beleza, a alegria e a leveza
Características da luz
O amor, a felicidade, a liberdade
Nada disto faz parte das trevas
E agora devo voltar
Ao mar do caos que são as trevas
Volto, porém mais triste
Pois não mais ignoro
Não mais só de trevas é feito o meu mundo
Sei que existe, lá fora, a luz
E viverei triste, pois as trevas não podem ter a luz
Pai, por que me fizestes isto?
Era feliz e agora sofro
No mar das trevas, desejo a luz
E assim são seus caminhos
Por isso pergunto: Por que as trevas conheceram a luz?
Era completo, agora vazio
Pois as trevas querem a luz e jamais as terão

Poema 198 - O Sonho


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Entremeado em sombras
Lá está o que quero
De mim foges e zombas
Quando ao meu alcance
Ignoro, mas se vejo, é relance
Mas, lá está o que comigo joga
És minhas drogas
Quanto mais longe mais quero
E quanto mais quero mais detesto
O sonho, um vício
Perseguí-lo, um ofício
E sei que te quero
Motivo de vida
Mas em geral, é somente ida
A todo momento mutável
És um ser com mil faces
Ora amável, afável
Ora me sugas com teus enlaces
És o vício e te quero
Nas sombras ou na luz
Por teus desejos tu me conduz
De trevas ou energia
Para mim, claro como o dia
É que te quero

domingo, 5 de julho de 2009

Poema 196 - Tristeza


Perdidos de 2008

Tristeza - 14/10/08

Meu corpo atraí tristezas
Como fogo e luz, mariposas
Minha alma morre sempre
Responde a tristeza perene

Na luz, meus olhos são sombras
Minha pele queima ao contato
Com alegria, suspiro ou ato
Na luz, minha alma em coma

Porque nunca há luz nesse inverno
Turbilhão de dores, mar eterno
O poeta, com feridas expostas

É dor e tristeza a aposta
Porque não há vencedor aqui
A tristeza me olha e sorri

domingo, 10 de maio de 2009

Poema 176 - Mentiras de Poeta


Eu poderia te contar sobre fábulas
Te levar a lugares nunca visto antes
Te diria maravilhas e pragas de bulas
Como nas infinitas visões de um mirante

Te inebriaria com imaginação e poesia
Eu poderia tudo isso, tudo mentiras
Histórias de sedução, em prosa e rima
Feitas para seres minha em elegia

Te contaria as mesmas mentiras recorrentes
Criadas para manter me cativo, entre correntes
Sugadas de outros,mas muitas minhas patentes

Até descobrires nas fábulas, a verdade
A poesia real não está em nenhuma beldade
Estava em ti e eu sugava tua fecundidade

terça-feira, 28 de abril de 2009

Poema 173 - Velha Roda

Velha roda, gira-mundo
O final é sempre igual
A vida é um ritual
Onde jazo cego e mudo

Meu contato é auditivo
Em decibéis elevados
Como rock destrutivo
De imperfeitos nublados

Outra vez o mesmo rito
Preso na alma o grito
Além de cego, agora mudo

Pois o peregrito é o que é
Poeta errante, estrada a pé
Alheio de si e do mundo 

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Poema 159 - Corre, corre Poeta

Corre, corre poeta
Corre para tua meta
A passagem é discreta
Mas a chegada é certa
Chora, chora poeta
Chora o leite derramado
Os ovos no chão quebrados
A dor do ser amado
Tolo, tolo poeta
De quereres da vida
De saberes a lida
De veres a ferida
Burro, burro poeta
Que se pede não alcança
E quase toca a esperança
Mas ainda tenta o perdão
Poeta, teu mal é solidão
É Poeta...
Sabes quem te espera
Sabes quem não abandona
Por isso Poeta, te esmera
Por isso confecciona
A vida nova que vem
Da Verdade que vai mais além
Ah, Morre Poeta
Morre para ver a festa


Ah, poeta tu és tolo
Tolo por veres no outro
O brilho de um falso ouro
Tolo por seres tu mesmo
Poeta de almas perdidas
Poeta de vida vadia
De sentidos a esmo
Mas tolo feliz de telices
Pois sabes da vida
Nada é igual ou mesmices

sábado, 22 de dezembro de 2007

Poema 146 - Alucinação

Tudo, tudo perdendo o sentido
como borboletas de luz e opacas
tudo, tudo, abstrato aonde miro
como a vida de retas parcas

não há mundo real, só ilusão
não há entendimento, só perdão
perdido, perdido duplamente
pelo rosto,que não compreende

trasgredi, isso é luxúria sim
escolhi, a doença para mim
persegui, a forma de ver o fim

agora, nada mais tem sentido
nesse verão, meu bandido
nem a reta ou o jogo, amigos

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Poema 137 - Circunvoluções

Eu caminhei por mil caminhos
Em todos voltei ao início
Um viajante sem patrícios
De estradas sem destinos

Vagei em círculos a esmo
Buscando preencher o cálice
Da minha alma, meu desprezo
E lá, perdido entre álibis

Me vi sozinho, solitário, sem sentido
Arranquei meu passado pervertido
Fiquei vazio, mas leve e preenchido

Os círculos tornaram-se pedregosos
Retas tortas dos obstáculos leprosos
De escolhas e certezas enraizantes
Ainda que tímido, caíram os figurantes

É preciso agir, agir com cautela
Com visão e meta, se cancela
A dor? Ah, a dor! Essa faz parte
É vital, sentida, quase uma arte

Fugi de ti, como de tantas coisas
Fugi da vida e das decisões dela
Corri gritando minhas mazelas
Emudeci, escondido entre moitas

Fui encontrado pelas sombras
Minhas próprias, de vozes e coloridos
Farrapos de caminhos corroídos
Mordido por si mesmo, o Poeta tomba

Perdi assim a primeira prova
Agora a vida me cobra em exame
Bem-feito! Pedi meu próprio vexame
Agora, desiste Poeta e reprova!

Não! Não mais! É disto que é feita
A vida. De viver o que não se quer
De aceitar a areia na sola do pé
De curtir as bolhas sem receitas

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Poema 116 - Meu Tempo


O mundo é uma roda viva, que vai e que vem
Um dia você está sozinho, noutro está com alguém
É uma bola de carne, que cheiro não tem
E a sua alma não vale um vintém

Você é fruto de todos que vieram antes
Mas também possui a loucura de Cervantes
E sente o frio solitário
Em um corpo antes temerário

Dizem: Não confie nos sentidos
Mas com eles impedidos
Aonde acharei a verdade

Sou depósito de esperança
Dos que já foram crianças
Mas como lutar contra tal realidade?

Poema 115 - Elegia de Medo e Vida


Arma-te com teus chicotes de medo
E agrida-me com tuas farpas
Minha armadura não protege de tuas armas
Meu escudo jaz no chão, esmigalhado

Vem o primeiro golpe, está nua a minha carne
Corta, dilacera, é na minha alma que arde
Vem o segundo golpe, prostro-me de joelhos
O sangue, visceral e anímico, entre a areia e os artelhos

Fraco, já não sinto mais a dor
Morto? Ou seria um estado de torpor?
É a vida em verdade que me alerta
Causa dor e sofrimento, como envenenada seta

Não tenho medo de ti, ó vida
Vinde, vinde certeira, causar-me feridas
Pois só morto não sentirei tua dor

Assim escolhi deixar-me atingir
Quando meu peito a ti abri
Escolhi não fugir ou esquivar
Da tua alabarda em furia a me queimar

Porque a morte consiste em não sentir
Por causa da dor e medo e desistir
Abandonar o sonho de viver e sorrir

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Poema 108 - Leprosos e Desgarrados


Caiam, caiam todos
Não me importo
Lamurias e muxoxos
De vossos olhos rotos

São vossas almas descarnadas
Vossos peitos atravessados
Pelas flechas envenenadas
Da luxúria, tranpassados

Caiam, caiam todos
Rolem pelos esgotos
Pelas bocas fédidas em gosto
Rolem até o fim em desgosto

Rolem, caiam e me levem
Acabem com tudo isto
Não quero nem que seja breve
Gritem em uníssono

Gritem minhas culpas
Minhas mágoas, minhas desculpas
Meus erros carregados
Do passado com gostos amargos

Gritem que nunca amei
Gritem que já matei
Gritem que odeiei
Gritei que me matei

Gritem, mas me levem
Com a morte, me carreguem
Por que se nem digno eu for
De bater as portas
De deixar as botas
Só me restará a dor

Matem-me, vós devassos
Funéros e desgarrados
Prendam-me com vossos laços
Sou tão leprosos quanto vossos ascos