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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Poema 266 - Correr



28/10/2010 - 13:50

Aquela vontade de gritar
De correr e nunca parar
Quem entende o desespero
De não se conter por inteiro?

Quando a mente não mais responde
Quando não se sabe quando ou aonde
E tudo é vão e ilusório
E o sofrimento compulsório

E sua própria mente te engana
Diz que é o que não existe
Em uma fuga onde tudo é triste

E sua estatura jaz tacanha
Não enfrenta o mal que persiste
Quem ajuda o que desiste?


Poema 261 - Ajuda



26/10/2010 - 13:22

Dúvida, Senhor, dúvida
Feita diária de tristeza
Quem sana minha incerteza?
Escorrendo-se pela vida

Onde está a fortaleza pétrea?
Onde está a segurança férrea?
Quem está fraco nada vê
Só a fé no Teu poder

Senhor, dúvida mortal
Mesmo sabendo Tua moral
Dúvida de tristeza

Socorro, tem presteza
Adeus dúvida apática
Ajuda, vem empática


quinta-feira, 3 de março de 2011

Poema 235 - Pedido


13/10/2009 - 12:12

Fiz um pedido, recebi
Ei-lô realizado
Por que meu desagrado?
Porque não te senti...

Quem pede se arrisca
Mas tudo conspira
Quando se inspira
Para pedir à risca

Mas pedidos, sim e não
Cara ou coroa, sem razão
Porque te quero resposta

Mas resposta como quero
Não bater na fechada porta
E ficar com a cara em ferro

Poema 234 - Desperdiço


13/10/2009 - 12:07

Soube não ser você
Aquela que procuro
Mas no escuro
O coração te vê

Quem diria de novo
Em hormônios me envolvo
Serotonina recompensa
Mas agora é doença

Porque continuar nisso?
Quando se sabe o desfecho
Seguir com o ato em erro

Minha vida desperdíço
Devo outro vez morrer?
Cansei-me de me conhecer...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Poema 205 - Fugas

A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Não peça desculpas, isso não corrije o passado
Por isso não faça nada que possa dar errado
Seja estático, jamais mude
Passividade deveria ser virtude
Não reaja, não sinta
Deixe quieto, que para você algo pinta
Desista dos sonhos, não corra atrás
Pois se perseguí-los, não serás capaz
De realizá-los e dar ao espírito, paz
Fuja, fuja sempre
Não acredite em ninguém, todos mentem
Não se abra e não confie
Não desabafe, filosofie
Não crie, você não pode
Não deseje, não persiga
E lembre sempre, desista, desista
Cante um hino, crie uma ode
Mas só fale de fugas ou de mortes
Seja vão, seja vago
Não seja sério em um diálogo
Se feche, se defenda
Crie em torno de sim uma grande tenda
E tenha medo, muito medo
Se encolha e nunca esqueça
Jamais levante um dedo
Nunca ajude, nem se envolva
Pois só se bate a cabeça
Se feche, se feche bem
Desista que alguém te ouça
Não peça ajuda a ninguém
E se tranque, se tranque bem

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Poema 181 - De copo em copo


Esse poema foi escrito em algum momento de 2007 e estava perdido entre várias anotações.


De copo em copo, o riso alegre
Meu sorriso se perdeu
Meu sorriso já não é meu
A vida assim segue
Por quê? Aonde isso vai?
A quem negue
Negar para quê? Tão mordaz
Sempre igual, tal qual neve
Branco e frio, mortal e leve
Foi-se, então, de copo em copo
Eis-me aqui, ainda me importo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Poema 137 - Circunvoluções

Eu caminhei por mil caminhos
Em todos voltei ao início
Um viajante sem patrícios
De estradas sem destinos

Vagei em círculos a esmo
Buscando preencher o cálice
Da minha alma, meu desprezo
E lá, perdido entre álibis

Me vi sozinho, solitário, sem sentido
Arranquei meu passado pervertido
Fiquei vazio, mas leve e preenchido

Os círculos tornaram-se pedregosos
Retas tortas dos obstáculos leprosos
De escolhas e certezas enraizantes
Ainda que tímido, caíram os figurantes

É preciso agir, agir com cautela
Com visão e meta, se cancela
A dor? Ah, a dor! Essa faz parte
É vital, sentida, quase uma arte

Fugi de ti, como de tantas coisas
Fugi da vida e das decisões dela
Corri gritando minhas mazelas
Emudeci, escondido entre moitas

Fui encontrado pelas sombras
Minhas próprias, de vozes e coloridos
Farrapos de caminhos corroídos
Mordido por si mesmo, o Poeta tomba

Perdi assim a primeira prova
Agora a vida me cobra em exame
Bem-feito! Pedi meu próprio vexame
Agora, desiste Poeta e reprova!

Não! Não mais! É disto que é feita
A vida. De viver o que não se quer
De aceitar a areia na sola do pé
De curtir as bolhas sem receitas

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Poema 114 - Esfinge Desgraçada


Ah, Esfinge, és desgraçada
Pois de enigmas, estas armada
Causando dúvidas a todos
Não dinstingues amigos dos tolos

Te delicias com o não-saber
Em ser o enigma de teu ser
Interrogação constante
De capa e chapéu ambulante

Ah, Esfinge, leão humano burro
És tão enigma de ti puro
Que nem a ti entendes

De questão em questão
Buscas a derradeira solução
Porque à ti mesma mentes

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Poema 107 - Infeliz Desse Homem


Ah! Minha alma bandida
Expressa tua indefinição constante
Em sentimentos vários e conflitantes
É difícil saber das emoções sentidas

Elas, nunca podem ser una
São várias e díspares em seu  tempo
Comigo apenas por um momento
Como ar rarefeito ou bruma

Minhas emoções, meu tormento
Sei de todas elas a feiura
Mesmo as belas são torpes
Entre três ou quatro opções
Escolho talvez a mais nobre
Ou a menos vil, de menores pressões
Expresso para fora, assim, só uma
Dentre todos aqueles sentimentos

Infelizmente, a quem sinta às escondidas
E dê-lhes mais valor, mais vida
E as sinta como uma ferida
Rasgada no peito, uma avenida

Mas não é válido de alguma forma
O homem que escolhe o que por pra fora?
Se conheço o meu interior
Nebuloso, nefasto e sonhador
Não posso escolher o que expressar naquela hora?
Mas de nada adianta a quem tem pele e chora

E se emociona, sente... intui
Para quem é feito de alma
E essa alma no mundo flui
O que se vê, não basta apenas 
E o que é expresso então, condena
Anseia do outro, muito mais do que isso
Não só físico, mas o por trás disso

Em um mundo interno de confusão
Já é difícil escolher qual emoção
Será levada a cabo quando sentida
Só torna mais difícil ver-te ferida

Quisera eu, poeta e racional
Entender minha parte emocional
Mas emoção não se entende
Se sente e se apreende

E quando está tudo em místura
De nada vale a escolha consciente?
Infeliz do homem que sente e se tritura
E sente de forma confusa e conflitante
Infeliz do homem que mente
Para quem vê além da carne ululante

Infeliz, ó homem, infeliz
Infeliz por não teres controle de ti mesmo
Por vagares no mundo a esmo
Infeliz por sentires em plural
Infeliz por seres tão mortal
Por que o pó é tua raiz

De nada valhe tua sensação
Pois quando é múltipla
Os outros sentem apenas a mais forte
E ela é de vício,  leviandade e é torpe
É a força maior do homem perdido
Infeliz desse homem bandido
Infeliz desse homem
Infeliz

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Poema 10 - As Vezes

as vezes eu queria ser normal
comum como todo mundo
as vezes eu queria ser
mais animal correndo imundo

as vezes eu queria me esconder
no meio da multidão
as vezes eu queria te ter
toda no meu coração

mas não sou normal
não me escondo
não há tenho
não sou animal

sou o reflexo distorcido
de um espelho partido
tentando se encaixar
procurando um par

sou um insano no mundo
distoante na multidão
sou pedaço do caos
em qualquer coração