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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Poema 229 - Piscadas


01:36 - 18/09/09

Tudo anda agitado
Durmo, pisco, acordo
Meu rítmo compassado
No íntimo, discordo

Mas sigo entre dias
Condicionado, maquinal
Dopado em fantasias
Esperando pelo final

Final que não chega
Até a revolta estourar
Meu antevo a guiar

O atávico não se nega
Rompe o que é imposto
Quando pisco, a seu gosto

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Poemas 213 - Sem Nome III


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Amigos, ó sim, amigos
É bom tê-los, nos ajudam, nos apoiam, nos confortam
Amigos, ó sim, amigos
Como é ruim tê-los, nos machucam, nos maltratam
Amigos, ó sim, amigos
Minha dor, minhas trevas, meu poço do fim
Amigos, ó sim, amigos
Sem eles não vivo, ao seu lado, não nos suportamos
Amigos, ó sim, amigos
Quando são como irmãos, por eles daria a vida
Quando são como cobras, lhes faltaria quando mais precisassem
Mas amigos, aqueles, os Amigos
Esses são poucos, um a cada mil
Mas por eles eu vivo e por eles eu morro
Porque sei que o mesmo por mim fariam
Ah, amigos; amigos, ó sim; os amigos
Meus irmãos e inimigos
Meus ódios e meus amores
Minhas dores e regojizos
Minhas lágrimas e dissabores
Cada um, um pedaço de mim, cada distância é uma parte que se vai
Até que no fim, só resta a carcaça vazia e pálida
De um simples corpo, que sofre de um mal
O mal da necrose da amizade, que dói até seu fim
Quando em nós,não nos resta mais nada
Ah, os amigos; pois sim, os amigos...

Poema 212 - Sem Nome II


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Dama das trevas, rainha da escuridão, madame das sombras
Mestra profana
Não importa como a chamem, é ela a Noite
Controladora dos noturnos, notívagos, soturnos

Dá forças aos boêmios, poder aos errantes
Pois está em nós, e nos leva adiante
Representa em mim, o lado negro e mal
De uma alma conturbada que não descansa, só sofre

Com meus vis pensamentos, a ela suplico
Dai-me forças, para aturar mais um dia
Outro dia em que não posso mudar o mundo
Pois sei que a noite, em teu reino de sonhos
Tenho poder e vontade para viver num mundo melhor
Mundo de espíritos e entes, diabretes e maldades
Em que alguém de bom coração, pode trazer a espada sagrada ao reino dos homens

Invades n'alma e mudas a mente
Deixa-me ser teu mensageiro
E trazer a este mundo o desejo dos homens
Deixa-me dar-lhes o que tanto almejam
Deixa-me trazer ao mundo real o seu verdadeiro mal

Poema 211 - Sem Nome I

A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Como um vazio, me invade a alma
Sinto a sensação no estômago, como algo que me falha
É dor, é medo, é martírio e regojizo
Isto porque me diz o que sinto

Diz-me que não sou de ferro
Que penso e lembro daqueles que quero
Estão longe em distância, mas vejo-os a noite
Quando ao olhar para o céu escuro com eles me ligo

É um ciclo como na vida
Pois mesmo distantes são parte de mim
Parte que dói ao se lembrar

Mas que alegra ao pensar
Que não deixo de sentir
Pois sei que em algum tempo, com eles hei de estar

Poema 210 - Perfeição II

Fósseis de 2002 - 27/09/02

Perfeição II

Coração ferido
Doído, Roído, Puído
Feitiço quebrado
Errado, Torturado, Encantado
Amor amado
Guardado, Roubado, Arrastado
Dor curada
Saltada, Restaurada, Retornada
Perfeição
Sonho de recordação
Sentimentos em turbilhão
Misturando-se em canção
Pois não há perfeição ou desilução
Só uma real canção
De vida em movimentação
Exemplo de fraca rima
Cada palavra igual combina
Sem estética
É só fonética
E perfeição

Poema 209 - Perfeição


Outro perdido de 2002 - 27/09/02

Perfeição
Só para Platão
Algo de plantão
Assola as mentes em prontidão
Pronta para cair em desolação
Filhos perdidos da criação
Tentando retornar ao grande salão
Reproduzindo cópias em exatidão
Para sofrer a queda à grande solidão
Erros na perfeição
O desejo da realização
É o passo da decepção
Filhos da Revolução
Batendo a cara no coração
Erros vindouros da criação
Idéias perfeitas sem correção
Flechas ávidas por refeição
Segredos guardados pelo cão
Três cabeças em inanição
Caem os muros em retaliação
Só resta perfeição
Idéia de Platão

domingo, 6 de dezembro de 2009

Poema 208 - Humanidade


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. Poema Fóssil de 2002.


27/09/02

Humanidade

Ó, pobre humanidade
Por que sofres tanto para crescer?
Se tu mesma sabes a verdade
Das maneiras mais diversas de florescer
Na ciência sempre vais à frente
Mas na sabedoria, nem que tentes
Dizes usar o antigo na teoria
Mas na prática é outra valia
Então, te trancas no escuro
Sozinha, homem com homem, um muro
E ainda erras, mais e mais
Tento te aprender até dizer jamais
Mas não mudas para crescer
Erros olhas e não pagas o preço
Pelo que fazes, dizeis em coro: Eu mereço!
E tua sociedade chega a perecer
Ah, humanidade
Se escutasses teus excêntricos
Que deixas perdidos na idade
Verias ricos
De novas idéias e valores
E não terias tido tantas dores

Poema 207 - Amigos/Inimigos


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Posições diferentes, pontos iguais
Apenas prosseguem, como começaram, já não sabem mais
Sem amor ou ódio, mas também sem paz
Podem tentar, mas parar, nenhum é capaz
Um dia amigos, no outro rivais
Já foram inimigos, hoje tanto faz
Não precisam motivos, discutem demais
Se já tentaram parar, nada há nos anais
Não é guerra física, é um combate sagaz
Só hão de parar, se feridos assaz
Mas é mais seguro, jogar aguarrás
Separar ambos em Alcatraz
Em constante batalha, sem descansarem jamais


Poema 206 - Solidão


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Meu destino é ser só
Mesmo na multidão sou um
Só eu existo ao meu redor
De companhia só o rum


Poema 205 - Fugas

A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Não peça desculpas, isso não corrije o passado
Por isso não faça nada que possa dar errado
Seja estático, jamais mude
Passividade deveria ser virtude
Não reaja, não sinta
Deixe quieto, que para você algo pinta
Desista dos sonhos, não corra atrás
Pois se perseguí-los, não serás capaz
De realizá-los e dar ao espírito, paz
Fuja, fuja sempre
Não acredite em ninguém, todos mentem
Não se abra e não confie
Não desabafe, filosofie
Não crie, você não pode
Não deseje, não persiga
E lembre sempre, desista, desista
Cante um hino, crie uma ode
Mas só fale de fugas ou de mortes
Seja vão, seja vago
Não seja sério em um diálogo
Se feche, se defenda
Crie em torno de sim uma grande tenda
E tenha medo, muito medo
Se encolha e nunca esqueça
Jamais levante um dedo
Nunca ajude, nem se envolva
Pois só se bate a cabeça
Se feche, se feche bem
Desista que alguém te ouça
Não peça ajuda a ninguém
E se tranque, se tranque bem

Poema 204 - Estragos

A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Sou bomba, sou faca, sou arma
Se papel ou míssil
A tudo torno físsil
Sou o explosivo que se arma
Lançando-me em todas as direções
Criado para destruir multidões
Aparento o belo e tenho mão de amigo
Mas lhe assustando a alma, a tudo é inimigo
Quebro, rasgo, explodo, corto
Alguns perguntam se me importo
Apenas prossigo o estrago
Com um dedo ofereço um trago
Mas com garras eu lhe rasgo
Meu sorriso de grande beleza
Conduz a morte com certeza
Destruíção física ou mental
Não importa a proteção
Pois te caço, sou animal
Teus muros, diante de mim cairão
Surjo eu como irmão
Trazendo no peito destruição
O caos me ama, sou confusão
E teus sentimentos, mato com paixão
Seja físico ou etério
Em qualquer nível, te despejo ao necrotério
Espada, machado, flecha ou lança
Trago dor aqueles que meu consolo alcança
Sim, sou dor, mas há esperança
Aos que sobrevivem a minha matança
Não há morte para mim, humilhação
Continuarão íntegros e viverão
Rindo da minha diversão
Estragar, destruir, profanar
É meu destino, já tentei escapar
Mas sou arma de dor
Anseio ver teu pavor
Aos que sobrevivem a minha profissão de amor
Tornarão-se tão distantes
Dizendo meu nome em sussurros
Carregados a mim por ventos uivantes
Atingindo meus ouvidos duros
A minha existência, torturando
Pois, só em estragos vou caminhando
Sejam em outros ou próprios
Pois é este meu ópio
Estragos e dor
Minha profissão de amor
Dos outros sugo, em mim me alimento
E quando chegar o fim
Só haverá em mim
Estragos e lamentos

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Poema 202 - Como diria Vinícius


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

O amor, fisiologicamente: hormonal
Sentimentalmente: passional
Mentalmente: irracional
Individualmente: social
Religiosamente: universal
Familiarmente: discutível
Ninfomaniacamente: deturpável
Parnasianamente: aperfeiçoável
Psicologicamente: abalável
Visivelmente: saudável
Belicamente: atacante
Adequadamente: agradável
Jogatinamente: defensível
Memorialmente: inesquecível
Paulatinamente: penetrante
Fatalmente: dolorido
Modernamente: agressivo
Sensorialmente: atrativo
Romanticamente: antiquado
Manipuladoramente: usado
Futuramente: recompensado
Antigamente: discriminado
Muito pode-se dizer do amor
Inclusive que rima muito bem com dor
Mas alguém o definiu perfeitamente
Eis as palavras criadas por sua mente:
"Que seja eterno enquanto dure
posto que é chama."

Poema 201 - Desejo


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Se me dessem um desejo para o mundo
Pediria igualdade social
Se me dessem um desejo à mim
Paz de espírito para aliviar o mal
Se me dessem um desejo de mim para os outros
Consertaria meus erros
Demonstraria aos outros maior zêlo
Ser sentimento perceptivo
E acabar com o egoísmo passivo
Abandonar a razão
Pois só me trouxe perdição
Abandonar a Esfinge
E desistir do caos
Mesmo que me tornasse irreal
Um ser que ao mundo só finge
Mas tudo que quero desses desejos
É fugir de mim
Fugir dos erros, o maior dos anseios
Melhor seria um pequeno curumim
Começar do zero, ressair do ovo
Sem erros, em um mundo novo
Paz de espírito e sem mais erros
Sou covarde, mas é este o maior de todos os desejos

Poema 200 - O Vazio


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Uma época fui completo
Sem vazios, nenhum espaço aberto
Íntegro e com propósito
Mas tudo muda
E de meu corpo, meu depósito
Surgiu está dor muda
E fiquei com tal despropósito
Sem rumo, sem direção
Os dias passam, agora simples sucessão
Viver pela vida, mas sem razão
Procuro preencher, fazer a união
Mas não existem encaixes
Quebraram-se os engates
Mas o pior desse vazio
Não é viver com sentimentos frios
Nem um dia após o outro
É a sensação da perda do outro?
Desta parte que me falta
Preenchida com velocidade
Ora baixa, ora alta
Mas que só piora com a idade
Pois o que preenche é daninho
E como eu, moinho
Moendo e o vão aumentando
E tais vândalos colonizando
Deixando mais árido o frio
Restando somente um coração vazio

Poema 199 - A Luz na Cama


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Pai, no mar da ignorância era feliz
Pois ao meu redor tudo eram trevas
Meu lar, meu corpo, meus pensamentos
Mas na lama do desconhecido
Não se sabe que se é feliz até não mais sê-lo
Se era feliz, pai, por que então me mostrastes
A luz?
A luz com sua beleza
Por quê?
Eu, feito de trevas
Tentei abraçá-la, tê-la, ser feito dela
Mas as trevas não são a luz, pai
A beleza, a alegria e a leveza
Características da luz
O amor, a felicidade, a liberdade
Nada disto faz parte das trevas
E agora devo voltar
Ao mar do caos que são as trevas
Volto, porém mais triste
Pois não mais ignoro
Não mais só de trevas é feito o meu mundo
Sei que existe, lá fora, a luz
E viverei triste, pois as trevas não podem ter a luz
Pai, por que me fizestes isto?
Era feliz e agora sofro
No mar das trevas, desejo a luz
E assim são seus caminhos
Por isso pergunto: Por que as trevas conheceram a luz?
Era completo, agora vazio
Pois as trevas querem a luz e jamais as terão

Poema 198 - O Sonho


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Entremeado em sombras
Lá está o que quero
De mim foges e zombas
Quando ao meu alcance
Ignoro, mas se vejo, é relance
Mas, lá está o que comigo joga
És minhas drogas
Quanto mais longe mais quero
E quanto mais quero mais detesto
O sonho, um vício
Perseguí-lo, um ofício
E sei que te quero
Motivo de vida
Mas em geral, é somente ida
A todo momento mutável
És um ser com mil faces
Ora amável, afável
Ora me sugas com teus enlaces
És o vício e te quero
Nas sombras ou na luz
Por teus desejos tu me conduz
De trevas ou energia
Para mim, claro como o dia
É que te quero

Poema 197 - Série Fósseis - A Sina


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.



Destruir ao criar
Esta é a sina deste filho do caos
Não que meus desejos sejam maus
Em geral são tentativas de agradar
Em muitas vezes de ser feliz
Mas como uma maldição
Sigo sempre a mesma tradição
Criar coisas frágeis
Que quando muito se mantem por um triz
Isto se forem sonhos ágeis
Capazes de escaparem de minhas mãos
E cavalagarem o mundo
Sem que eu esteja guiando sua direção
Somente aquilo que me foge
Não adquire este toque profundo
De destruir ao criar
Transformando em pesadelo o sonhar
Pois em mim só chove
A maldição deste criar
Se de carne, sangra
Se sentimento, lembrança da dor
Se da mente, comigo desanda
E tal maldição tem um motivo
Quem no mundo me impôr
Por achar que isto me faz vivo
A sina, à maldição
Do filho do caos, à criação
Destruir ao criar e ao criar, destruir.