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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Poema 251 - Palavras


25/12/2009 - 00:29

Quais as palavras que preciso
Para expressar o que tanto sinto?
Por que a concepção em minha mente
Não se transcreve de forme premente?

Há no mundo material o necessário
Para dizer o que é incomparável?
Como posso tão simples e pequeno
Exprimir o sentimento que tenho?

Eu só queria escrever bem o bastante
Para Te agradar e louvar um instante
Porque as outras expressões, estranho

Fico tímido, sem jeito, tacanho
Para dizer Te amo, quais as palavras?
Quando são efêmeras e falhas?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Poema 207 - Amigos/Inimigos


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Posições diferentes, pontos iguais
Apenas prosseguem, como começaram, já não sabem mais
Sem amor ou ódio, mas também sem paz
Podem tentar, mas parar, nenhum é capaz
Um dia amigos, no outro rivais
Já foram inimigos, hoje tanto faz
Não precisam motivos, discutem demais
Se já tentaram parar, nada há nos anais
Não é guerra física, é um combate sagaz
Só hão de parar, se feridos assaz
Mas é mais seguro, jogar aguarrás
Separar ambos em Alcatraz
Em constante batalha, sem descansarem jamais


domingo, 10 de maio de 2009

Poema 176 - Mentiras de Poeta


Eu poderia te contar sobre fábulas
Te levar a lugares nunca visto antes
Te diria maravilhas e pragas de bulas
Como nas infinitas visões de um mirante

Te inebriaria com imaginação e poesia
Eu poderia tudo isso, tudo mentiras
Histórias de sedução, em prosa e rima
Feitas para seres minha em elegia

Te contaria as mesmas mentiras recorrentes
Criadas para manter me cativo, entre correntes
Sugadas de outros,mas muitas minhas patentes

Até descobrires nas fábulas, a verdade
A poesia real não está em nenhuma beldade
Estava em ti e eu sugava tua fecundidade

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Poema 159 - Corre, corre Poeta

Corre, corre poeta
Corre para tua meta
A passagem é discreta
Mas a chegada é certa
Chora, chora poeta
Chora o leite derramado
Os ovos no chão quebrados
A dor do ser amado
Tolo, tolo poeta
De quereres da vida
De saberes a lida
De veres a ferida
Burro, burro poeta
Que se pede não alcança
E quase toca a esperança
Mas ainda tenta o perdão
Poeta, teu mal é solidão
É Poeta...
Sabes quem te espera
Sabes quem não abandona
Por isso Poeta, te esmera
Por isso confecciona
A vida nova que vem
Da Verdade que vai mais além
Ah, Morre Poeta
Morre para ver a festa


Ah, poeta tu és tolo
Tolo por veres no outro
O brilho de um falso ouro
Tolo por seres tu mesmo
Poeta de almas perdidas
Poeta de vida vadia
De sentidos a esmo
Mas tolo feliz de telices
Pois sabes da vida
Nada é igual ou mesmices

sábado, 27 de outubro de 2007

Poema 133 - Emoções Baixas


Meu medo era deixar
de sentir qualquer emoção
e viver máquina, só razão
pois elas podiam voar

Escapar para longe
com o primeiro vento
ficar a carcaça ao relento
um corpo com muita fome

É assim que se sente
quem vive perdido na mente
com um corpo de emoções baixas

não vis, más, torpes ou cruéis
mas intensas só nos papéis
de vidas envoltas em faixas

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Poema 129 - Blassé

Terminou, deveria estar sofrendo
Mas nessas horas, sinto o nada
Não é solidão ou vazio pelo que acaba
É anestesia, sem sentir, ir vivendo

É triste ser assim, blassé
A solução... Não, não há solução
Não é opção ser Poeta, é ação
(Pois o apático, finge que alguém é)
Pois vivo fingindo alguém ser

Mas também não é mentira
Anesteziar é diminuir
Não deixar de ter ou de existir

Mas cadê a cartola, de onde se tira
O fingimento mais que real
Dos sentimentos do meu quintal

sexta-feira, 23 de março de 2007

Poema 60 - Poesia III

 
A minha arte a este mundo deforma
Sei disso porque é o que diz e informa
O ato das pessoas, ato de reforma
Buscando (entendendo) o que sobra, em sua desforma
 
Minha arte pega o mundo e retorna
Entropia e caos sobre ele entorna
Mostrando o belo e o feio na obra
Da criatura-homem que ao mundo dobra
 
Minha arte é motivo de perseguição
Pois mostra ao homem seu final, a danação
E sonha com a volta da era de ouro
 
Pois nessas soturnas erais finais de barro
De levante decadências sem amparo
Minha arte embala o novo ao forno 

Poema 59 - Poesia II

 
Poesia é falar das coisas simples
Ver magia no cotidiano
É contentar-se  com o mundano
É eternizar o que se sente
 
É falar bonito das dores da gente
É um gritar sem motivo aparente
O calor do verão no inverno frio
Na alma sentir aquele arrepio
 
Poesia, ver o mundo por meus olhos
Míopes de buscar o encanto
Neste mundo já com tantos prantos
 
É tocar o sentido da vida
Mesmo nas guerras tão atrevidas
Buscando curar nossas feridas
 

sábado, 26 de agosto de 2006

Poema 15 - Poesia


Poesia
uma amante exigente
me expõe ao mundo em elegia
usa minha mão até jorrar o sangue quente
 
Crava as presas na minha alma
Ri, debocha, tortura e humilha
Me joga na lama e destrói minha calma
E sorrindo diz mordaz: desista, seja uma ilha
 
Sem forças, me entrego
Sorrateiro, soturno, noturno
No mar se esvai meu ego
 
A mão cortada, já sem orgulho
Estende-se ao alto, buscando o ar
E finalmente, a graciosa luz, consegue agarrar

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Poema 04 - Bloqueio


Que dor terrível se abate
Quando o poeta olha para o papel
E o papel para ele late
Escondendo-se através de um véu

Quando a mente fica bloqueada
E só a branca folha sobra
Nem uma gota de tinta pingada
Tinge o papel agora

E a pressão aumenta
Vem à tempestade, a tormenta
Roubar-me o sono

Não sei como
Mas é preciso o papel tingir
Para fazer o poeta sorrir