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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Poema 262 - Choro Vazio



26/10/2010 - 13:28

Choro, choro sem fim
como sempre, outra vez
Quem entende, insensatez
Corpo que por si se diz

Sem motivo ou razão
Um sopro ou luz ou vazão
Estoura e racha e vaza
Adeus, dias certos da casa

Choro, choro sem lágrimas
Choro no peito já vazio
Quem percebe tuas grimas?

Quem satura teu vazio?
Quando o choro te esvai
Quem preenche teus anais?

Poema 261 - Ajuda



26/10/2010 - 13:22

Dúvida, Senhor, dúvida
Feita diária de tristeza
Quem sana minha incerteza?
Escorrendo-se pela vida

Onde está a fortaleza pétrea?
Onde está a segurança férrea?
Quem está fraco nada vê
Só a fé no Teu poder

Senhor, dúvida mortal
Mesmo sabendo Tua moral
Dúvida de tristeza

Socorro, tem presteza
Adeus dúvida apática
Ajuda, vem empática


Poema 260 - Outra Vez



26/10/2010 - 13:17

Outra vez a tristeza
Sem motivo ou razão
Surge forte, turbilhão
Choro sem certeza

Tristeza de apatia
A não-vontade raiz
Quem a ela contradiz?
Quando falta energia

Um buraco tão profundo
Escavado em dias longos
Preenchido e sem fundo

Através delas tombo
Agulhas no meu peito
Agulhas sem direito


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Poema 245 - Lágrimas de Poeta


11/12/2009 - 00:00

...e eu chorei por tantas noites
até as lágrimas serem areia
restando na alma, só açoites
nada é, nem que eu queira

... e desejei tanto, busquei
meus caminhos perdi, mas tentei
e o choro tornou-se amargo
e o sorriso, falso e largo

...enganei-me, até ser deserto
meu corpo e alma, sem rumo certo
só as lágrimas, minha rota

...o poeta, em plena derrota
pois é assim o destino
choro constante e repentino

Poema 242 - Tristeza da Espera



07/12/2009 - 21:22

Tristeza bandida, sorrateira
Entre tantas fontes, vens ligeira
Passageira, irás embora, certo
Ainda assim, é dor e é concreto

Porque dentre todas as loucuras
Esperança, cativa minha mesura
E dessas esperas tantas, tantas
Por ti, tristeza, a mim encantas

Por certo, teu nome é prisão
Zombeteira, encarceras a razão
Que sabe teu fim esta a amanhecer

Mas ignora a manhã, nela já não crê
Mesmo que certo, só lógica, é vã
Não sacia minha alma, teu elan.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Poema 235 - Pedido


13/10/2009 - 12:12

Fiz um pedido, recebi
Ei-lô realizado
Por que meu desagrado?
Porque não te senti...

Quem pede se arrisca
Mas tudo conspira
Quando se inspira
Para pedir à risca

Mas pedidos, sim e não
Cara ou coroa, sem razão
Porque te quero resposta

Mas resposta como quero
Não bater na fechada porta
E ficar com a cara em ferro

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Poema 227 - Choro


18/09/09 - 01:10

Hoje quis chorar sem motivo
Não foi por nada nem ninguém
Não era tristeza, era além
Era choro primitivo

Desses sentimentos sinceros
Que agarram, se enterram
Arrastam-se por dias, sim
Sem aviso, vão embora por si

E de melancólico sorriso
Mutam-se em euforia-narciso
Pois há tudo de fora se esquece

Porque o choro por choro
Me torna uno ao outro
É choro triste que aquece

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Poema 217 - Vai, Tristeza, Vai


09/07/09 - 12:50

Não, nem adianta tentares voltar
Tristeza, vá, não sou mais teu par
Meu corpo é pleno e vitorioso
Foi preenchido, é esperançoso

Mesmo com todas as dificuldades
E com a tristeza melancôlica
Batendo à porta, tão bucólica
Meu corpo não te deu herdades

Adeus tristeza, adeus
Tentarás voltar bem sei
Mas repito, aqui não tens vez

Ola, Senhor meu Deus
Reforçastes minhas portas
Sei que de mim, te importas

Poema 215 - Gotas


06/07/09 - 21:19

Essas lembranças gotas d'água
Pingam e pingam, então inundam
Despertam as vezes mágoas
Do passado, que não mudam

Mas em geral são moinhos
Coloridos e alegres
Comboios já algo roídos
Com memórias já entregues

Quase sempre é melâncolia
Lembrança saudosa do passado
Gotas d'águas que eu lia

Trazendo saudade do contado
Efêmeros ecos já des-importantes
Tão presentes, tão gritantes

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Poema 200 - O Vazio


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Uma época fui completo
Sem vazios, nenhum espaço aberto
Íntegro e com propósito
Mas tudo muda
E de meu corpo, meu depósito
Surgiu está dor muda
E fiquei com tal despropósito
Sem rumo, sem direção
Os dias passam, agora simples sucessão
Viver pela vida, mas sem razão
Procuro preencher, fazer a união
Mas não existem encaixes
Quebraram-se os engates
Mas o pior desse vazio
Não é viver com sentimentos frios
Nem um dia após o outro
É a sensação da perda do outro?
Desta parte que me falta
Preenchida com velocidade
Ora baixa, ora alta
Mas que só piora com a idade
Pois o que preenche é daninho
E como eu, moinho
Moendo e o vão aumentando
E tais vândalos colonizando
Deixando mais árido o frio
Restando somente um coração vazio

Poema 199 - A Luz na Cama


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.


Pai, no mar da ignorância era feliz
Pois ao meu redor tudo eram trevas
Meu lar, meu corpo, meus pensamentos
Mas na lama do desconhecido
Não se sabe que se é feliz até não mais sê-lo
Se era feliz, pai, por que então me mostrastes
A luz?
A luz com sua beleza
Por quê?
Eu, feito de trevas
Tentei abraçá-la, tê-la, ser feito dela
Mas as trevas não são a luz, pai
A beleza, a alegria e a leveza
Características da luz
O amor, a felicidade, a liberdade
Nada disto faz parte das trevas
E agora devo voltar
Ao mar do caos que são as trevas
Volto, porém mais triste
Pois não mais ignoro
Não mais só de trevas é feito o meu mundo
Sei que existe, lá fora, a luz
E viverei triste, pois as trevas não podem ter a luz
Pai, por que me fizestes isto?
Era feliz e agora sofro
No mar das trevas, desejo a luz
E assim são seus caminhos
Por isso pergunto: Por que as trevas conheceram a luz?
Era completo, agora vazio
Pois as trevas querem a luz e jamais as terão

Poema 197 - Série Fósseis - A Sina


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.



Destruir ao criar
Esta é a sina deste filho do caos
Não que meus desejos sejam maus
Em geral são tentativas de agradar
Em muitas vezes de ser feliz
Mas como uma maldição
Sigo sempre a mesma tradição
Criar coisas frágeis
Que quando muito se mantem por um triz
Isto se forem sonhos ágeis
Capazes de escaparem de minhas mãos
E cavalagarem o mundo
Sem que eu esteja guiando sua direção
Somente aquilo que me foge
Não adquire este toque profundo
De destruir ao criar
Transformando em pesadelo o sonhar
Pois em mim só chove
A maldição deste criar
Se de carne, sangra
Se sentimento, lembrança da dor
Se da mente, comigo desanda
E tal maldição tem um motivo
Quem no mundo me impôr
Por achar que isto me faz vivo
A sina, à maldição
Do filho do caos, à criação
Destruir ao criar e ao criar, destruir.

domingo, 5 de julho de 2009

Poema 196 - Tristeza


Perdidos de 2008

Tristeza - 14/10/08

Meu corpo atraí tristezas
Como fogo e luz, mariposas
Minha alma morre sempre
Responde a tristeza perene

Na luz, meus olhos são sombras
Minha pele queima ao contato
Com alegria, suspiro ou ato
Na luz, minha alma em coma

Porque nunca há luz nesse inverno
Turbilhão de dores, mar eterno
O poeta, com feridas expostas

É dor e tristeza a aposta
Porque não há vencedor aqui
A tristeza me olha e sorri

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Poema 189 - Partir


É triste a tristeza de quem parte
Que vira saudade, remexe e reparte
Sem deixar nada certo, somente dúvidas
Com a alma em prantos, como quem uiva

É pedaço de estrada não construída
Cada tijolo posto ali, uma sacudida
Porque a alma é feita de pedaços
Uma costura tal qual colcha de retalhos

É parte medo, parte saudade, também segredo
Ás vezes se esconde de nós, parte em degredo 
Mas todo mundo cedo ou tarde se esvai e vai

Ninguém fica para sempre, não se vence o tempo
Então pisa com fé, sem nada ver, não te distrai
Parte, não deixa-te para trás e vai com o vento

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Poema 184 - Melancolia Futura


Do que ainda não é, tenho saudade
Um aperto na alma pelo que será
A perda futura, tão dificil explicar
Que já sofre a alma, como realidade

Emoção sem nome, tátil, física
Melâncolia do que vai se perder
Mistura de medo e de não crer
Inaceitação da própria partida

Impossível não sentir tão forte
Essa saudade antecipada da vida
Do sentir, calor amigo e da lida

Rumo ao pretenso desconhecido
Ainda que necessário o caminho
Dividiu-se o todo em vários lotes