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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Poema 266 - Correr



28/10/2010 - 13:50

Aquela vontade de gritar
De correr e nunca parar
Quem entende o desespero
De não se conter por inteiro?

Quando a mente não mais responde
Quando não se sabe quando ou aonde
E tudo é vão e ilusório
E o sofrimento compulsório

E sua própria mente te engana
Diz que é o que não existe
Em uma fuga onde tudo é triste

E sua estatura jaz tacanha
Não enfrenta o mal que persiste
Quem ajuda o que desiste?


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Poema 212 - Sem Nome II


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.

Dama das trevas, rainha da escuridão, madame das sombras
Mestra profana
Não importa como a chamem, é ela a Noite
Controladora dos noturnos, notívagos, soturnos

Dá forças aos boêmios, poder aos errantes
Pois está em nós, e nos leva adiante
Representa em mim, o lado negro e mal
De uma alma conturbada que não descansa, só sofre

Com meus vis pensamentos, a ela suplico
Dai-me forças, para aturar mais um dia
Outro dia em que não posso mudar o mundo
Pois sei que a noite, em teu reino de sonhos
Tenho poder e vontade para viver num mundo melhor
Mundo de espíritos e entes, diabretes e maldades
Em que alguém de bom coração, pode trazer a espada sagrada ao reino dos homens

Invades n'alma e mudas a mente
Deixa-me ser teu mensageiro
E trazer a este mundo o desejo dos homens
Deixa-me dar-lhes o que tanto almejam
Deixa-me trazer ao mundo real o seu verdadeiro mal

sábado, 22 de dezembro de 2007

Poema 148 - Zumbis

Malditos zumbis, outra vez
Atacam-me quando durmo
Com cores mortas em sua tez
Me reviro e rolo sem prumo

Sempre tenho o mesmo tema
Será algum distúrbio ou problema?
Talvez algo em mim esteja gritando
"Se não morrer, a Morte vem bufando!"

Zumbis, mortos-vivos, vampiros
Por quê? O que há em meu suspiro?
Ó Morte não morta, que me segue

Aonde termina essa aflição?
As noites em conspurcação?
O que minha alma tanto pede?

sábado, 20 de outubro de 2007

Poema 126 - Valsa da Solidão


Eu a vi dançando sozinha
Com as luzes ora sim, ora não
Era a senhorita da solidão
Lá estava só e era minha

Olhou e me achou no escuro
Eu era ela, mesmo ela só
Em minha alma senti o meu pó
Que sugastes criando teu muro

Os meus próprios demônios te serviram
Ela era eu e todos viram
Meu medo exposto, vadia

Meus anjos cortejaste
Em lasciva luxúria os matasse
Santa! A vida que me devias

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Poema 116 - Meu Tempo


O mundo é uma roda viva, que vai e que vem
Um dia você está sozinho, noutro está com alguém
É uma bola de carne, que cheiro não tem
E a sua alma não vale um vintém

Você é fruto de todos que vieram antes
Mas também possui a loucura de Cervantes
E sente o frio solitário
Em um corpo antes temerário

Dizem: Não confie nos sentidos
Mas com eles impedidos
Aonde acharei a verdade

Sou depósito de esperança
Dos que já foram crianças
Mas como lutar contra tal realidade?

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Poema 107 - Infeliz Desse Homem


Ah! Minha alma bandida
Expressa tua indefinição constante
Em sentimentos vários e conflitantes
É difícil saber das emoções sentidas

Elas, nunca podem ser una
São várias e díspares em seu  tempo
Comigo apenas por um momento
Como ar rarefeito ou bruma

Minhas emoções, meu tormento
Sei de todas elas a feiura
Mesmo as belas são torpes
Entre três ou quatro opções
Escolho talvez a mais nobre
Ou a menos vil, de menores pressões
Expresso para fora, assim, só uma
Dentre todos aqueles sentimentos

Infelizmente, a quem sinta às escondidas
E dê-lhes mais valor, mais vida
E as sinta como uma ferida
Rasgada no peito, uma avenida

Mas não é válido de alguma forma
O homem que escolhe o que por pra fora?
Se conheço o meu interior
Nebuloso, nefasto e sonhador
Não posso escolher o que expressar naquela hora?
Mas de nada adianta a quem tem pele e chora

E se emociona, sente... intui
Para quem é feito de alma
E essa alma no mundo flui
O que se vê, não basta apenas 
E o que é expresso então, condena
Anseia do outro, muito mais do que isso
Não só físico, mas o por trás disso

Em um mundo interno de confusão
Já é difícil escolher qual emoção
Será levada a cabo quando sentida
Só torna mais difícil ver-te ferida

Quisera eu, poeta e racional
Entender minha parte emocional
Mas emoção não se entende
Se sente e se apreende

E quando está tudo em místura
De nada vale a escolha consciente?
Infeliz do homem que sente e se tritura
E sente de forma confusa e conflitante
Infeliz do homem que mente
Para quem vê além da carne ululante

Infeliz, ó homem, infeliz
Infeliz por não teres controle de ti mesmo
Por vagares no mundo a esmo
Infeliz por sentires em plural
Infeliz por seres tão mortal
Por que o pó é tua raiz

De nada valhe tua sensação
Pois quando é múltipla
Os outros sentem apenas a mais forte
E ela é de vício,  leviandade e é torpe
É a força maior do homem perdido
Infeliz desse homem bandido
Infeliz desse homem
Infeliz

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Poema 78 - Sociedade de Plástico


Quero incluir-me nos excluídos
Pois estes já inclusos sociais
Plastificaram seus corações banais
Tornaram-se reais anjos caídos
 
Nessa eterna transição para o fim
Códigos de barras em vossas testas
Ainda venderam-se fazendo festa
Enchendo o corpo de vermes e cupins
 
Excluam-me, tenho olhos sem noção
Junto à minha boca sem vossa razão
Prefiro ser moído à plastificado
 
Joguem-me aos vermes da sarjeta
Prefiro, à tua morte lenta
Sociedade de plástico deidificado
 

Poema 74 - Mortalha

 
Quando o ar explode em chamas
Deixando apenas cinza e fuligem
Com cheiro de vida queimada na paisagem
(Você sente perto a passagem)
Ouve troar a morte que a vida clama
 
Com o toque de dedos nervosos
Rasgando a fina película que separa
Os vivos dos mortos de forma clara
Vemos o fim com olhos receosos
 
Ei-lo! Mundo-Reflexo descarnado
Com rotos espíritos atormentados
Ao ver-nos, sucumbem a vileza
 
Alargam e atravessam a fenda
Roubam almas para na sua tentar emenda
Levam-nos para o seu mundo, final certeza

Poema 73 - Parasita Teu

 
Sim, sou completo parasita teu
Nos teus sentimentos me sacio
Teu corpo de tua alma, divorcio
Me escondo na tua parte que é breu
 
Chafurdo nessa lama emocional
Preencho o buraco em tua alma
Esperanca? Tristeza? Alegria?
Sugo tudo! Sou tão sentimental...
 
Nada sobrará quando eu terminar
Apenas uma casca vazia a desabar
E ainda estarei com fome
 
Saltarei de pessoa em pessoa
Multiplicarei-me, não importa a quem doa
Tristeza e solidão, meus nomes
 

segunda-feira, 26 de março de 2007

Poema 65 - Mundo Oculto

 
Estamos em todos os lugares
Também estamos em nenhum lugar
Você está sob nosso olhar
Mas não nos vê com vossos olhares

A distância é de um passo
Mas você está a quilômetros
Nosso passo é de centímetros
E apenas nós podemos andar
 
Você quer me sentir, tocar e achar
Isso acontece só se eu deixar
Nós te alcançamos quando queremos
 
Nossa essência é efêmera
Vocês, terra fértil, carne, fêmea
Onde plantamos, depois colhemos

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Poema 52 - O Eu Profano

 
Peregrino, teu nome que eu chamo
Assassino, à sombra da tua alma
Celestino, na espera não acalma
Martírio, cor que odeio e amo
 
Espetáculo, é o som de teus passos
Receptáculo, sangue que não virá
Báculo, que se arma na tua ira
Especulo, no ver-te que te refaço
 
Meretriz, de um útero descarnado
Imperatriz, teu desmando bloqueado
Ladrão, pilhando almas solitárias
 
Vendi meu corpo em tua pele fabril
Imperador, em tua guerra pueril
Sacristão, sem alma humanitária
 

Poema 51 - Prisioneiro de Mim

 
Sou Paixão, desmedida da razão
Solidão, prisão no continente
Danação, ao encontro da gente
Salvação, espera a multidão
 
Nas paredes sem envergadura
Estou prisioneiro, sem grilhões
Mas tenho asas, minhas emoções
Venham as quatro, tal ditadura
 
Vossas chuvas de dano cerebral
Em meu corpo, machucam sem rival
Mesmo com dor, vestirei meu papel
 
Serei Paixão e Solitário
Monstro e Confessionário
Preso entre tais infernos e céus
 

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Poema 22 - Múmias


Vencido meu maior inimigo
Morte, tua face já não temo mais
Sou da seleta casta: Imortais
Meu corpo é o soldo: Perigo

Vitória: Ilusão passageira
A morte descarnou-me o corpo
E jazo só em aguardo, morto
Ria, pois, tu! Alma carniceira

Passo tal galhofa: Morto-vivo
Através das minhas garras, uivo
Àqueles ao que é meu profanam

Preso eterno dessa cobiça
O ouro, meu despertar atiça
É fogo, novas mortes, demandam

sábado, 26 de agosto de 2006

Poema 16 - Lobisomem


Lua cheia ilumina o solo
A alma uiva, a pele coça
Correr, para onde? Não olho
O sangue pulsa, o vento me mostra
 
Transformação
A alma é só devastação
Humanidade perdida
Somente a besta, uma grande ferida
 
Menos humano, mais animal
A boca pede sangue
Necessidade primeva, vital
E que ninguém me negue
 
Deve ser abundante
Fluído constante
Mas a noite é curta
Preciso dele, sem luta
 
Atacar rápido, sem ver
Olhos vermelhos, chegam a doer
Então só há escuridão
Acordar perdido, solidão

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Poema 13 - Vampira


Vampira,
Teu nome é sexo
De sangue rubra ira
Destróis o nexo

Que é minha primária fusão
Mais que minha libido literária
És meu fogo, incendiária
E também vento frio de minha paixão

Climas tão antagônicos
Vens a noite sorrateira
Morder-me, que irônico

Com teus dentes, és parteira
Dando-me nova vida e vigor
Mas só querias meu ar, meu rubor