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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Poema 197 - Série Fósseis - A Sina


A Série Fósseis foi escrita antes de eu começar a escrever poemas. São poemas iniciais, feitos no ano 2000. Perdidos em anotações velhas e cadernos gastos. Talvez mais para a frente, eu os releia.



Destruir ao criar
Esta é a sina deste filho do caos
Não que meus desejos sejam maus
Em geral são tentativas de agradar
Em muitas vezes de ser feliz
Mas como uma maldição
Sigo sempre a mesma tradição
Criar coisas frágeis
Que quando muito se mantem por um triz
Isto se forem sonhos ágeis
Capazes de escaparem de minhas mãos
E cavalagarem o mundo
Sem que eu esteja guiando sua direção
Somente aquilo que me foge
Não adquire este toque profundo
De destruir ao criar
Transformando em pesadelo o sonhar
Pois em mim só chove
A maldição deste criar
Se de carne, sangra
Se sentimento, lembrança da dor
Se da mente, comigo desanda
E tal maldição tem um motivo
Quem no mundo me impôr
Por achar que isto me faz vivo
A sina, à maldição
Do filho do caos, à criação
Destruir ao criar e ao criar, destruir.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Poema 08 - Negra Luz Vazia


A alma corroída por tal vazio
Restando dor e frio
Matando-me em partes
Será esse o destino
Uma vida morta, sem arte?
Entre os dedos, um lampejo de alegria fugidia
Quando mais se agarra, menor tua simetria
É tal prisão viva
De negras grades sombrias
Negam-me o grito de esperança, rebeldia
E só há na boca, rota saliva
Se apenas carne sou
Minha alma em pedaços dispersos
Procura a pura luz ou
A salvação em sentimentos honestos
Mas minha janela única é encerrada
E com doídas mãos arranhadas
Arranco em chamas algumas partes
Fazendo dessa parede agora grades
Por onde bebo de minhas lembranças
Banhando-me em luz, parca esperança
E essa dor que é gigante
Torno-me mero pranto quebrantado
Tentando a ti reluzir
Seja tu barro ou diamante
Em memórias, contínuo ir e vir
Frutos daquele breve instante

sábado, 5 de agosto de 2006

Poema 07 - Pequenos Prazeres


Um café quente
Uma caminhada diurna
Uma conversa inteligente
Ver estrelas noturnas

Pequenos prazeres
Mortos pela cinza selva
Com esforço ressurgem da relva
Do concreto de poucos dizeres

Eventos simples e discretos
Vindos de um mundo concreto
Relembrando o abstrato

Fazendo do real o caricato
Denota vida em expansão
Retorno de sentimentos ao coração

sábado, 15 de julho de 2006

Poema 06 - Beleza Sorridente


De onde vem esse calor
Que me desperta a mente
E que assim tão de repente
Me traz um novo furor?

De um raio de sol brilhante
Terno e gentil que vem a mim
Que cruza o céu cintilante
E me lembra da pele carmim

De onde vem tão doce perfume
Que elimina qualquer azedume
Deixando a vida sorridente?

De uma mulher de beleza ardente
Carisma eloquente
E imaginação latente

sábado, 8 de julho de 2006

Poema 05 - Gaia Grita


Preso no ventre impassível
Ela grita, agoniza, delira
Pede em prantos o impossível
Que o homem não a mate em sua ira

Já foi verde, forte e viçosa
Hoje, é deserto, lama e esgoto
Já teve um céu de cor majestosa
Agora é cinza, em pranto roto

Ainda haverá esperança?
Existe saída dessa dança?
Quando todos olham para os lados?
Quem escuta da Terra os brados?
Quando dizemos - Deixe que tussa
Lembre-se, Gaia... ainda pulsa

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Poema 04 - Bloqueio


Que dor terrível se abate
Quando o poeta olha para o papel
E o papel para ele late
Escondendo-se através de um véu

Quando a mente fica bloqueada
E só a branca folha sobra
Nem uma gota de tinta pingada
Tinge o papel agora

E a pressão aumenta
Vem à tempestade, a tormenta
Roubar-me o sono

Não sei como
Mas é preciso o papel tingir
Para fazer o poeta sorrir

sábado, 1 de julho de 2006

Poema 01 - Casa da Frente Casa de Trás


E volta e vai e faz e desfaz
Casa da frente casa de trás
Anda pra cá anda pra lá
Chama pra almoçar
Ora aqui ora acolá

É o corre-corre um sobe e desce
Que o corpo padece, a alma arrefece
Pega comida, pega a partida
Joga a corrida, volta à vida

Anda e anda, vai e vai
Nunca volta, sem mais ais
Casa da frente casa de trás
Olhar e alegria, contumácia
Onde estarão os sais?