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quinta-feira, 3 de março de 2011

Poema 234 - Desperdiço


13/10/2009 - 12:07

Soube não ser você
Aquela que procuro
Mas no escuro
O coração te vê

Quem diria de novo
Em hormônios me envolvo
Serotonina recompensa
Mas agora é doença

Porque continuar nisso?
Quando se sabe o desfecho
Seguir com o ato em erro

Minha vida desperdíço
Devo outro vez morrer?
Cansei-me de me conhecer...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Poema 220 - Insano II


12/07/09 - 02:16

Meus olhos não estão bem
Minha mente está febril
O mundo nada mais tem
Tudo está longe e frio

Quando a Terra para
A lentidão toma conta
A visão insana esbarra
No corpo toma conta

Você está na multidão
Mas ninguém se move
Pode tocar, mas não se comove

Porque você foi quem parou
Criou sua própria prisão
A vida, foi você quem piorou

sábado, 23 de maio de 2009

Poema 185 - Cíclico


Mas que repetição
Outra vez, vou a morrer
Já conheço a canção
Outro pedaço vai sofrer

Porque morrer conheço bem
Talvez seja hora de viver?
Sofrer e aceitar o que vem
Revolução atávica do ser

Talvez viver seja bom
Deixar o casulo da morte
Olhar o sol, jogar a sorte

Até buscar um novo som
Mais vivo que esta marcha
De erros já sem graça

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Poema 182 - Escolha


A vida me ensinou a morrer
Em jogos, em grupos e relações
Mas foram, a seu modo, revelações
A cada vez aprendi a viver

Quem nunca morreu, não vive
Acumula em uma única existência
Peso, pó e desistência
Pois nem toda morte é triste

Não se nasce antes da morte
Mas se escolhe o destino, a sorte
Menos no muro da indecisão

Morrer por querer é escolha
É crescer ramos e folhas
É prumo, rima e chão

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Poema 178 - Elegia para uma princesa ou Versos Tristes e Sinceros


Porque eu nunca amei até estar contigo
Eu nunca sofri até te perder
Eu nunca soube desse castigo
Eu nunca precisei tanto morrer

Porque tu fostes aquela flor no campo
A mais preciosa margarida
Aquela que a vida quer tanto
Aquela que não merece ferida

Mas o poeta não te deu valor
O medo foi maior do que o amor
E de tudo fiz para te afastar

Porque não só de coração, se faz amar
Amar se faz de carinho e decisão
E eu não te fiz, voltei a valsa da solidão

Porque nem mesmo as eras ou as dores
Me tiram o pensamento de ti
Porque tu como eu disse, és flores
E eu, por esforço te perdi

E todos nós cantamos a mesma canção
O tango, a valsa, da dor e da desilução
E nessa valsa eu vou rodando
E meu coração lembrando

De cada erro e cada gesto e cada grito
De cada olhar, de meu medo e desatino
Pois fui fraco e covarde nessa vida
Me feri, mas sofro pelas tuas feridas

E eu poderia te dizer várias coisas em canção
E nenhuma delas expressaria meu amor
Nem meu carinho, nem o valor do teu sabor
Da tua pele junto a minha, ou teu coração

Porque eu nos matei e morri assim
Eu construí a muralha da paixão
coloquei blocos de medo carmesim
E me fiz soldado disparando o canhão

E meu alvo de amor e sofrimento
Tua paixaõ e teu lamento
Como se tu não pudesses estar comigo
Como se tu fosses o inimigo

Quando tudo que eu via, era especial
A maior companheira, de amor triunfal
Aquela que eu queria me entregar
E deixei o medo me naufragar

E toda a lembrança é saborosa
Mas também é fel e dor teimosa
Que não é mais amor ou carinho
É a tristeza do poeta sozinho

E mesmo triste e ainda sofrendo
Eu só te peço: seja feliz, meu amor
Porque o poeta é tolo e sofredor
Mas tu és plena em alegria e dividendo

Porque tua planatação tem viço
Teu carinho se fixa em qualquer lugar
Tu és a dama em esplendor nada vulgar
Mesmo quando  triste ou em martírio

E meu carinho te quer tão bem
E me faz ficar longe por proteção
Mas estou sempre ao teu lado e com razão
Tu mereces do poeta tudo que ele tem

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Poema 155 - Cultos e cultos

Por quê? Por que esse culto pela morte?
Esse desespero pelo fim?
Esquecemos do culto a vida
Vivemos sem vida assim

Por que as homenagens póstumas?
Ao invés de dizer que se gosta
Quando ainda temos tempo
Nas gotas que caem uma a uma

Vivemos com medo
Nessa vida ao meio
Somos caricatos arremedos

Deixando passar a paixão carmim
Pela beleza a nossa volta
Mude a visão antes do fim
Siga uma outra rota

sábado, 22 de dezembro de 2007

Poema 151 - Doenças III

A doença só se espalha
Vejo o campo de batalha
O mal vem galopando
Nós aqui, delirando

Nem percebemos o ocorrido
A doença entranhada funda
A alma na lama só se afunda
Viva! A degradação do acolhido

Doenças por todos os lados
Criamos com nossas mentes
Doenças para nós, culpados

Criamos para ficarmos contentes
Júbilo de contentação, hipócrita
Humanos, vossa doença está escrita

Poema 148 - Zumbis

Malditos zumbis, outra vez
Atacam-me quando durmo
Com cores mortas em sua tez
Me reviro e rolo sem prumo

Sempre tenho o mesmo tema
Será algum distúrbio ou problema?
Talvez algo em mim esteja gritando
"Se não morrer, a Morte vem bufando!"

Zumbis, mortos-vivos, vampiros
Por quê? O que há em meu suspiro?
Ó Morte não morta, que me segue

Aonde termina essa aflição?
As noites em conspurcação?
O que minha alma tanto pede?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Poema 137 - Circunvoluções

Eu caminhei por mil caminhos
Em todos voltei ao início
Um viajante sem patrícios
De estradas sem destinos

Vagei em círculos a esmo
Buscando preencher o cálice
Da minha alma, meu desprezo
E lá, perdido entre álibis

Me vi sozinho, solitário, sem sentido
Arranquei meu passado pervertido
Fiquei vazio, mas leve e preenchido

Os círculos tornaram-se pedregosos
Retas tortas dos obstáculos leprosos
De escolhas e certezas enraizantes
Ainda que tímido, caíram os figurantes

É preciso agir, agir com cautela
Com visão e meta, se cancela
A dor? Ah, a dor! Essa faz parte
É vital, sentida, quase uma arte

Fugi de ti, como de tantas coisas
Fugi da vida e das decisões dela
Corri gritando minhas mazelas
Emudeci, escondido entre moitas

Fui encontrado pelas sombras
Minhas próprias, de vozes e coloridos
Farrapos de caminhos corroídos
Mordido por si mesmo, o Poeta tomba

Perdi assim a primeira prova
Agora a vida me cobra em exame
Bem-feito! Pedi meu próprio vexame
Agora, desiste Poeta e reprova!

Não! Não mais! É disto que é feita
A vida. De viver o que não se quer
De aceitar a areia na sola do pé
De curtir as bolhas sem receitas

sábado, 27 de outubro de 2007

Poema 131 - Feridas Alheias


Enfim aconteceu, a morte
o silêncio na minha alma
de tudo que tenho, é o mais forte
quando não há sentido, não há norte

Foi-se e sei bem porquê
sem mais rimas fáceis
ou entendimentos táteis
foram-se as rosas do meu buquê

É estranho e bem pior
do que as dores de antes
estampou-se no meu semblante

é a sensação da ferida
feita na pessoa querida
destruindo meu melhor

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Poema 122 - Poema de Amanhecer


Escrevo para saber o que penso,
Discurso solo, prática de pensamento
Existo no mundo digital,
Mais que na vida real
Onde as palavras não são gravadas,
Mas pelo vento levadas

Um poema de amanhecer,
Para não esquecer-me de você
Onde coloco minhas idéias,
Contando-te minhas verborréias

Idéias de uma mente fértil,
Em solos de rima pueril
Tentando contar meus pensamentos,
Para não esquecer de meus momentos

Sou aquilo que escrevo,
E assim me descrevo
Deixando para o momento póstumo,
Lembranças de meu túmulo

Na verdade palavras gravadas,
Em uma lápide arranhada
Sonhos de uma vida,
Desejos e sofia

A existência só é possível,
Pelas memórias, que incrivel
Dos outros que me vêem

Poema 115 - Elegia de Medo e Vida


Arma-te com teus chicotes de medo
E agrida-me com tuas farpas
Minha armadura não protege de tuas armas
Meu escudo jaz no chão, esmigalhado

Vem o primeiro golpe, está nua a minha carne
Corta, dilacera, é na minha alma que arde
Vem o segundo golpe, prostro-me de joelhos
O sangue, visceral e anímico, entre a areia e os artelhos

Fraco, já não sinto mais a dor
Morto? Ou seria um estado de torpor?
É a vida em verdade que me alerta
Causa dor e sofrimento, como envenenada seta

Não tenho medo de ti, ó vida
Vinde, vinde certeira, causar-me feridas
Pois só morto não sentirei tua dor

Assim escolhi deixar-me atingir
Quando meu peito a ti abri
Escolhi não fugir ou esquivar
Da tua alabarda em furia a me queimar

Porque a morte consiste em não sentir
Por causa da dor e medo e desistir
Abandonar o sonho de viver e sorrir

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Poema 112 - Morte

Morte

Ó, Morte, desejo-te
Desejo-te por querer viver
Só quem muito vive pode morrer
Porque é o caminho para a vida ter

Morri e renasci e cresci
O fardo do ser mutável
Sofri, sorri e venci
A certeza da morte aceitável

Ao entender o fim
Sabê-lo e aceitá-lo
Morrer não é sofrido

Seja pelo espadachim
Arcanjos ou querubins
É um momento ansiado

Poema 110 - Vozes e Virtude


As vozes continuam 
Gritam ao redor sem parar
Obscenidades a mim sussurram
Querem nos conspurcar

Estão por toda parte
Os vultos e os cadáveres
Fazendo o mal sem alarde
Querendo nos devorar

Cadê a proteção
Contra esse mundo pagão
Que quer nos sacrificar?

Cadê a oração
A virtude do cristão
Contra o mal secular?

Poema 109 - Corre Para o Teu Fim


Vai, corre para teu fim
Deixar escorregar o carmim
Arranca tua própria vida
Sem sentido, tão vadia

Teu corpo acelera
Corre rápido pra morte
Aceite o rasgo, o corte
De quem apenas erra

Escolhe teu presente
De gregos para os troianos
Para os que ficam aqui lutando
Um recado deste ausente

Vai, corre para teu fim
Monstro sem tamanho
De perversidades afim
Seja teu adeus tacanho

Que apaguem da memória
A lembrança da existência
Desse monstro em essência
Desse verme sem glória

Assim deve ser
Sem adeus ou libação
Sem virtude ou aclamação
O fim que deve ter

Poema 108 - Leprosos e Desgarrados


Caiam, caiam todos
Não me importo
Lamurias e muxoxos
De vossos olhos rotos

São vossas almas descarnadas
Vossos peitos atravessados
Pelas flechas envenenadas
Da luxúria, tranpassados

Caiam, caiam todos
Rolem pelos esgotos
Pelas bocas fédidas em gosto
Rolem até o fim em desgosto

Rolem, caiam e me levem
Acabem com tudo isto
Não quero nem que seja breve
Gritem em uníssono

Gritem minhas culpas
Minhas mágoas, minhas desculpas
Meus erros carregados
Do passado com gostos amargos

Gritem que nunca amei
Gritem que já matei
Gritem que odeiei
Gritei que me matei

Gritem, mas me levem
Com a morte, me carreguem
Por que se nem digno eu for
De bater as portas
De deixar as botas
Só me restará a dor

Matem-me, vós devassos
Funéros e desgarrados
Prendam-me com vossos laços
Sou tão leprosos quanto vossos ascos

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Poema 104 - Mortes II

Mortes II

Morrer, mil vezes morrer
Se for esse o preço, eu pago
Morrer para ver nascer
A flor no meu rincão, no pago

Morrer, bem destruído
Sem lamento, som ou gemido
Encontrar na morte à vida
Desperdiçada nessa guerrilha

Morrer em Tordesilhas
Dividido meu mundo no mapa
Mas morrer longe das ilhas

Íntegro em mil mortes
Se assim for, que benção
Seria eu, um homem de sorte

Poema 103 - O Tango e o Trago


Mais uma dança
Sempre há tempo
Para dançar ao vento
Uma última dança

A saideira da vida
Como o último trago
Que seja um arraso
Como uma forte bebida

Que seja a dança da morte
Um tango forte que corte
o último trago de ar

Fazendo calar as pessoas
Mas que deixe a vida falar
Do trago que ainda e(s)coa

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Poema 88 - Aprendizado


Certas coisas se aprende
Mais pelo e para os outros
Quando a vida te joga na parede
Te fazendo sentir-se tolo

É como ser um filho
Só se aprende ao ser um pai
Quando o amor à outro vai
Vemos nosso próprio brilho

Contraditório isso, não?
Dizem: "Viva em plenitude!"
"Goze a vida em plenitude!"

Mas a vida está no caixão
Minha morte, para que outro viva
Só assim aprende-se sobre a vida

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Poema 75 - Dor

 
A dor que nunca passa
Dor constante, vital
Me acompanha este mal
É zombeteira, faz pirraça
 
Dor, mesmo quando alegre
Até quando esquecido
Está apenas adormecido
O sentimento que me fere
 
É motor, combustível e amor
Vive-se com ela, mesmo com horror
É fruto e é semente na alma
 
Um pedaço constante de tormento
Sei que estou vivo, pois lamento
E agradeço essa dor fidalga