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domingo, 5 de julho de 2009

Poema 196 - Tristeza


Perdidos de 2008

Tristeza - 14/10/08

Meu corpo atraí tristezas
Como fogo e luz, mariposas
Minha alma morre sempre
Responde a tristeza perene

Na luz, meus olhos são sombras
Minha pele queima ao contato
Com alegria, suspiro ou ato
Na luz, minha alma em coma

Porque nunca há luz nesse inverno
Turbilhão de dores, mar eterno
O poeta, com feridas expostas

É dor e tristeza a aposta
Porque não há vencedor aqui
A tristeza me olha e sorri

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Poema 171 - Cinco Segundos

As horas passam, o mundo voa
Mas tua beleza é sempre tua
Teu pulsar me deixa atoa
Tu é estrela, beleza nua

Mais do que tua pele elétrica
Junto a minha, nos meus dedos
Teu arco voltaico, é sem medo
Vindo do íntimo sem métrica

Porque tu és nova em segundos
Formatada a cada dia
Sem pressa e de vários mundos

Tu és linda, e nem sabias
Porque tem coisas que são assim
Enlouqueces-me sem fim

Poema 170 - Eterna Dança

Copia e cola, nossa valsa
Queria mesmo recortar
Tirar pedaços com uma alça
No photoshop enfeitar

Porque viver é uma eterna dança
Ciranda, swingues, rocks e baladas
Cada momento, erro, derrapada
Passo em falso, como de criança

No coração já vem o rítmo
A sociedade dá o compasso
Quem despreza o íntimo

No mundo, adeus, só abraço
Porque dançar é feito de pernas
E quem para, só para, espera

Poema 169 - Tu e Eu

Se era para ser assim
Só promessas, tanto faz
Juras ditas ao ar
Só pulmão, fluxo e fim

Quando parecia paz rara
Fostes guerra e máscara
Não te culpo, meu errar
Fostes sincera em teu amar 

Quem diria teu sorriso sincero
Loucura de granizo singelo
Por quê? Por que acreditar?

É assim nossa história de vida
Contradição de fluxo e de amar
Melhor ser apenas uma rota, de ida

Poema 168 - Calçada

As vezes a calçada é de pedra
Machuca, faz calos, sangra
As vezes, quase sempre, a gente erra
Calçada muda pra varanda

Olha quem passa e expõem
Não se importa, só consigo
Ignora o outro e não repõem
O coração doutro, à perigo

Mas essa calçada, virou grama
Sob o sangue forjou-se drama
Sem muita lágrima ou tragédia

Porque dor, vira comédia
Quando se corrige a mágoa
Plantando-se com boas águas

Poema 167 - Sozinho

Sozinho, no calor da noite
Lembro da minha maldade
Do meu jeito sem piedade
Contigo, ser assim, distante

Por que quando fico sozinho
Só quero teu calor, teu abraço?
Me perco no teu corpo, meu laço
Em teus devaneios e sorriso

Mas ao teu lado, sou solitário
Porque, meu amor, assim que sou
Ou aprendi a ser, a vida calou

Mas minha emoção, já sem horário
Quer cumplicidade, não solidão
A luta da mocidade, razão e emoção

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Poema 166 - Vai Fundo

Homem, se ela te disser
Vai fundo! Não esperes
Embriagado ficará teu ser
Feliz, pelo mundo teres

Homem, tolo apaixonado
Nem bem o dito terminado
Entregas-te a guilhotina
Implorando mais da heroína

Homem, covarde a temer
Ouvir, já és desprezado
Em seu mundo, em seu prever

Mas não eximo-te a culpa, mulher
Desses bilhetes vomitados
Teu prazer de flor sem pé

Poema 165 - Adão Sonhador

Lá estava Adão
Sentado no Paraíso
Não tinha frustração
Seu rosto puro riso

Eva chegou reclamando
Desse jeito não podia
Adão vivia sonhando
Precisa de mais rebeldia

Adão, jovem sonhador
Não entendia dessa prática
Sonho e ação, é sua tática

Mas ouviu sua mulher
Comeu a maçã com grande dor
Mas o sonho, ele ainda o quer

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Poema 164 - A Rota

De passo em passo
A verdade é uma só
O caminho é um fardo
A estrada é uma mó

Quem sabe o peso
Que carrego a dias
Desse olhar, meu guia
Silvo e ensejo

Pés doídos, cheios
Da estrada me alheio
Ir avante? Não sei

Passos vagos, sem lei
No fim, pó das rotas
Cego de várias botas

Poema 163 - A Roda

Gira a roda afoita
Aonde irá? Ficará?
A roda (viva) se acoita
Vão-se os dias, viverá?

Na estrada, percalços
Romperam os atilhos
Vieram os gatilhos
A roda, em remorsos

Começo e fim da roda
Coitada, tão fora de moda
Pregos e retalhos

Cinzalada sem afinco
Estrias de zinco
Na esfera de aço

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Poema 162 - Mente Vazia

Branca é a mente
Mente em preto
A cor, mero arremedo
Vazio da alma da gente

Desse estado autômato
De dias em sucessão
Das tarefas sem conclusão
Da vida presa em atos

Mente vazia, atos cheios
Pensamento sem freios
No vazio dos dias alheios

Segue a vida assim lotada
A mente branca embotada
A mente negra privada

domingo, 25 de maio de 2008

Poema 161 - Primordial

Mesmos capítulos e ainda assisto
Sentir tudo de novo do novo
Não, não sou eu quem insisto
Este novo não é meu fosso

De forma alguma prisão
É o novo em repetição desigual
Como se fosse a vida, fractal
Com a parte e sem o todo da fração

Já vivi, vi e experimentei
Não me canso, não me enfado
Não há tédio ou melhorado
Neste novo que já me deliciei

Novo é novo, mesmo velho
Mesmo outra vez e mais uma
E gosto que me volto e quero
Mais desse velho, gostoso tal pluma

Ah, novo, velho, radial
Nunca mesmo, será igual
Já vivi e te viverei
Primordial, é, eu te bem sei

sábado, 15 de março de 2008

Poema 160 - Dá e Passa

Quem nunca teve vontade de rir
Na multidão, a boca sozinha ir
Motivo? Motivo algum
Achando isso algo comum?

Quem nunca quis chorar
Ao ver a solidão chegar
Mesmo entre amigos
Ou flechado por Cupido?

Quem controla o coração?
Vontades que vem e vão
Bipolares. Sorrir; amar; matar

Enganam com véus à razão
Não aceitam ninguém como par
Filhas internas da comoção

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Poema 159 - Corre, corre Poeta

Corre, corre poeta
Corre para tua meta
A passagem é discreta
Mas a chegada é certa
Chora, chora poeta
Chora o leite derramado
Os ovos no chão quebrados
A dor do ser amado
Tolo, tolo poeta
De quereres da vida
De saberes a lida
De veres a ferida
Burro, burro poeta
Que se pede não alcança
E quase toca a esperança
Mas ainda tenta o perdão
Poeta, teu mal é solidão
É Poeta...
Sabes quem te espera
Sabes quem não abandona
Por isso Poeta, te esmera
Por isso confecciona
A vida nova que vem
Da Verdade que vai mais além
Ah, Morre Poeta
Morre para ver a festa


Ah, poeta tu és tolo
Tolo por veres no outro
O brilho de um falso ouro
Tolo por seres tu mesmo
Poeta de almas perdidas
Poeta de vida vadia
De sentidos a esmo
Mas tolo feliz de telices
Pois sabes da vida
Nada é igual ou mesmices

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Poema 157 - Demolição

Vem tal qual morfina
No meu corpo recrimina
A lenda da vil paixão
Do meu peito beberrão

De quem caiu em sonhos
Com o enjôo no estômago
Com esforço, recomponho
A fonte da vazão, o âmago

Mas sem sentido e sem forma
À alma sem corpo, jaz morta
Sem processo ou construção

Estática, segue sem norma
São sementes sem uma horta
Da alma em eterna demolição

Poema 156 - Sonhos e Enganos

É, eu me conheço muito bem
Na dor, procuro sonhos
As ilusões, confecciono
Tenho prazer, mas quem não tem?

Procuro aquela ruiva já velha
Procuro aquela megacorporação
Ouso buscar a regeneração
Nisso tudo, minha entrega

Sou bom nisso, assumo
Enganos de Shakespeare
Enganos e erros de prumo

Mas a areia continua a se esvair
Areia que destrói o sonho
Mas protesto e a areia reponho

Poema 155 - Cultos e cultos

Por quê? Por que esse culto pela morte?
Esse desespero pelo fim?
Esquecemos do culto a vida
Vivemos sem vida assim

Por que as homenagens póstumas?
Ao invés de dizer que se gosta
Quando ainda temos tempo
Nas gotas que caem uma a uma

Vivemos com medo
Nessa vida ao meio
Somos caricatos arremedos

Deixando passar a paixão carmim
Pela beleza a nossa volta
Mude a visão antes do fim
Siga uma outra rota

Poema 154 - Capacitância Emocional

Sinto, penso, existo demais
E ainda assim busco o equilíbrio
Queria ser intenso em desequilíbrio
Porque somos capacitores emocionais
Prontos à explodir liberando toda a energia
Me viciei nisso
Não minto, já fui omisso
Mas sentir é suprema elegia
Agora vago do prazer à dor
Da paixão à solidão
Enlameando-me na emoção
E quero mais, quero tudo
Não posso parar
Não quero parar
Não pararei
Isso eu juro