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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Poema 223a - Considerações Sobre a Paixão Revisitado


16/02/2011 - 19:56

não tinha meu agrado
nem sorriso ao seu lado
mas tinha algo bravo
naqueles olhos raros
a loucura da vontade
da vida de verdade
que arrebata e devora
quem serve-se por fora
e escapa-se a lembrança
apenas brilho e dança
daqueles olhos, é herança

Poema 223 - Divagações Sobre a Paixão


22/07/2009 - 23:20

e o mais estranho de tudo
que não tinhas formosura
como eu tanto desejara
nada em ti, era como nas mulheres
que meu corpo cobiçara
nem mesmo representavas
os desejos do passado
objetivos carnais
cumpridos em antigas relações
nada tinhas do que eu tanto prezava
nada eras daquilo que eu buscava
e ainda assim, estavas ali
nem mesmo o sorriso
por quem tantas me derreti
nem esse princípio antigo
me chamou a atenção
nada tinhas para eu dizer
que bela, meu coração
e mesmo assim, estavas ali
mas tinhas algo que ninguém
antes teve, assim tão claro
havia algo em teus olhos
insanidade talvez, pensei
possível, até provável
mas não era loucura
sincera ou palpável
era tênue, e te permeava
mas o que vi, sincero
foi desejo, puro e intenso
desejo por si mesmo
para ir além do que eras
vontade de vida
desejo
única palavra capaz de descrever
o que vi em teus olhos
suficiente para me arrebatar
tirar-me do centro
deixar tudo confuso
porque tantas vezes percorri
outros corpos e paixões
mas nenhuma delas foi entrega
só luxúria e aproveitações
mas aqueles olhos
aqueles olhos....
teu desejo tão intenso
não consigo lembrar de teus olhos
só do brilho

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Poema 191 - Poeta Pimentinha


Ah, Poeta, poetinha
Te divertes com os mesmos laços
Sabes aonde leva essa corda
Então por que insistes?

Ah, Poeta, pimentinha
Buscas esse prazer devasso
De adivinhar quem te acorda
Por que tens o olho em riste?

Ah, poeta, salpicado
Busca outro bordado
Pois esse é mecânico isolado

Ah, Poeta, compulsório
Vá além de passos irrisórios
Saí desse eterno sanatório

sábado, 20 de outubro de 2007

Poema 127 - Endócrino


Célula a célua, primeira comunicação
Boca-à-boca, no começo da civilização

Célula nervosa, comunicação à distância
Telégrafo, da cidade à estância

Neuroendócrino, da cabeça ao meu pé
Telefone, agora minha boca bota fé

Endócrino, meu corpo a longo prazo
Internet, expandindo até o espaço

Teoria do ponto único, espaço unificado
Droga, meu corpo ainda está confinado

Chega de me comunicar por células
Vou ficar conectado

sexta-feira, 23 de março de 2007

Poema 60 - Poesia III

 
A minha arte a este mundo deforma
Sei disso porque é o que diz e informa
O ato das pessoas, ato de reforma
Buscando (entendendo) o que sobra, em sua desforma
 
Minha arte pega o mundo e retorna
Entropia e caos sobre ele entorna
Mostrando o belo e o feio na obra
Da criatura-homem que ao mundo dobra
 
Minha arte é motivo de perseguição
Pois mostra ao homem seu final, a danação
E sonha com a volta da era de ouro
 
Pois nessas soturnas erais finais de barro
De levante decadências sem amparo
Minha arte embala o novo ao forno 

quinta-feira, 1 de março de 2007

Poema 58 - O Sorriso da Dríade

 
O mais belo sorriso, é de uma fada
Suave brisa de ar, é lufada
Surge radiante em esplendor
É um hipnótico bálsamo da dor
 
Mas cuidado com o sorríso da dríade
Pois sua beleza em miríades
Cega homens sem coração puro
E mata ímpios de coração duro
 
Vale perder a vida e ver tão belo sorrir?
Prometeu deu-nos o fogo e está a fugir
Logo, aos deuses eu também devo olhar
 
Sim, verei o sorriso puro e cristalino
Talvez resista, talvez ache meu assassino
Certo é, meu desejo se saciará
 

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Poema 52 - O Eu Profano

 
Peregrino, teu nome que eu chamo
Assassino, à sombra da tua alma
Celestino, na espera não acalma
Martírio, cor que odeio e amo
 
Espetáculo, é o som de teus passos
Receptáculo, sangue que não virá
Báculo, que se arma na tua ira
Especulo, no ver-te que te refaço
 
Meretriz, de um útero descarnado
Imperatriz, teu desmando bloqueado
Ladrão, pilhando almas solitárias
 
Vendi meu corpo em tua pele fabril
Imperador, em tua guerra pueril
Sacristão, sem alma humanitária
 

Poema 51 - Prisioneiro de Mim

 
Sou Paixão, desmedida da razão
Solidão, prisão no continente
Danação, ao encontro da gente
Salvação, espera a multidão
 
Nas paredes sem envergadura
Estou prisioneiro, sem grilhões
Mas tenho asas, minhas emoções
Venham as quatro, tal ditadura
 
Vossas chuvas de dano cerebral
Em meu corpo, machucam sem rival
Mesmo com dor, vestirei meu papel
 
Serei Paixão e Solitário
Monstro e Confessionário
Preso entre tais infernos e céus