terça-feira, 22 de agosto de 2006

Poema 13 - Vampira


Vampira,
Teu nome é sexo
De sangue rubra ira
Destróis o nexo

Que é minha primária fusão
Mais que minha libido literária
És meu fogo, incendiária
E também vento frio de minha paixão

Climas tão antagônicos
Vens a noite sorrateira
Morder-me, que irônico

Com teus dentes, és parteira
Dando-me nova vida e vigor
Mas só querias meu ar, meu rubor

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Poema 12 - Homenagem a Rent


Como você mede um ano de sua vida?
525.600 minutos?
Ou pela estrada percorrida?
Talvez pelas pessoas que escuto?

Podemos medir nosso ano
Pelos aprendizados vividos
Pelos erros cometidos
E também pelos alegres enganos

Pelas emoções sentidas
Pelos sentimentos feridos
Ou pelo fechar das feridas

Mas prefiro contar meu ano
Pelo amor a quem me é querido
Pelo amor a todos que amo

sábado, 19 de agosto de 2006

Poema 11 - Não Existir

A maior parte do tempo
Não quero existir
Mas isso não é desistir
Desistir implica desejo

É mais do que um querer
Para isso teria que viver
Por isso sou fluido, me esvaio
Em corrente de desvario

Por azar, este rio chega ao mar
Encontra o mesmo de sempre
Não pode fiingir, volta a andar

Em andanças e passos que mentem
Acabo voltando ao princípio
Olhar do fundo do precipício

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Poema 10 - As Vezes

as vezes eu queria ser normal
comum como todo mundo
as vezes eu queria ser
mais animal correndo imundo

as vezes eu queria me esconder
no meio da multidão
as vezes eu queria te ter
toda no meu coração

mas não sou normal
não me escondo
não há tenho
não sou animal

sou o reflexo distorcido
de um espelho partido
tentando se encaixar
procurando um par

sou um insano no mundo
distoante na multidão
sou pedaço do caos
em qualquer coração

Poema 09 - Feliz Aniversário, Pai


Mais uma vez distante
E um ano passou galopante
Mais um ano se somou
No calendário do homem que me sonhou

Mais uma vez sem participar
Apenas outro "oi, olá, feliz aniversário"
É suficiente para fazer um filho chorar
Ainda mais quando se controla o horário

Outro ano que se soma ao passado
E mais uma vez não estou ao teu lado
Posso desejar que a distância nos una mais

Mas gostaria mesmo de te abraçar
E sorrindo poder te desejar
Feliz Aniversário, meu Pai

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Poema 08 - Negra Luz Vazia


A alma corroída por tal vazio
Restando dor e frio
Matando-me em partes
Será esse o destino
Uma vida morta, sem arte?
Entre os dedos, um lampejo de alegria fugidia
Quando mais se agarra, menor tua simetria
É tal prisão viva
De negras grades sombrias
Negam-me o grito de esperança, rebeldia
E só há na boca, rota saliva
Se apenas carne sou
Minha alma em pedaços dispersos
Procura a pura luz ou
A salvação em sentimentos honestos
Mas minha janela única é encerrada
E com doídas mãos arranhadas
Arranco em chamas algumas partes
Fazendo dessa parede agora grades
Por onde bebo de minhas lembranças
Banhando-me em luz, parca esperança
E essa dor que é gigante
Torno-me mero pranto quebrantado
Tentando a ti reluzir
Seja tu barro ou diamante
Em memórias, contínuo ir e vir
Frutos daquele breve instante

sábado, 5 de agosto de 2006

Poema 07 - Pequenos Prazeres


Um café quente
Uma caminhada diurna
Uma conversa inteligente
Ver estrelas noturnas

Pequenos prazeres
Mortos pela cinza selva
Com esforço ressurgem da relva
Do concreto de poucos dizeres

Eventos simples e discretos
Vindos de um mundo concreto
Relembrando o abstrato

Fazendo do real o caricato
Denota vida em expansão
Retorno de sentimentos ao coração