segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Poema 168 - Calçada

As vezes a calçada é de pedra
Machuca, faz calos, sangra
As vezes, quase sempre, a gente erra
Calçada muda pra varanda

Olha quem passa e expõem
Não se importa, só consigo
Ignora o outro e não repõem
O coração doutro, à perigo

Mas essa calçada, virou grama
Sob o sangue forjou-se drama
Sem muita lágrima ou tragédia

Porque dor, vira comédia
Quando se corrige a mágoa
Plantando-se com boas águas

Poema 167 - Sozinho

Sozinho, no calor da noite
Lembro da minha maldade
Do meu jeito sem piedade
Contigo, ser assim, distante

Por que quando fico sozinho
Só quero teu calor, teu abraço?
Me perco no teu corpo, meu laço
Em teus devaneios e sorriso

Mas ao teu lado, sou solitário
Porque, meu amor, assim que sou
Ou aprendi a ser, a vida calou

Mas minha emoção, já sem horário
Quer cumplicidade, não solidão
A luta da mocidade, razão e emoção

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Poema 166 - Vai Fundo

Homem, se ela te disser
Vai fundo! Não esperes
Embriagado ficará teu ser
Feliz, pelo mundo teres

Homem, tolo apaixonado
Nem bem o dito terminado
Entregas-te a guilhotina
Implorando mais da heroína

Homem, covarde a temer
Ouvir, já és desprezado
Em seu mundo, em seu prever

Mas não eximo-te a culpa, mulher
Desses bilhetes vomitados
Teu prazer de flor sem pé

Poema 165 - Adão Sonhador

Lá estava Adão
Sentado no Paraíso
Não tinha frustração
Seu rosto puro riso

Eva chegou reclamando
Desse jeito não podia
Adão vivia sonhando
Precisa de mais rebeldia

Adão, jovem sonhador
Não entendia dessa prática
Sonho e ação, é sua tática

Mas ouviu sua mulher
Comeu a maçã com grande dor
Mas o sonho, ele ainda o quer

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Poema 164 - A Rota

De passo em passo
A verdade é uma só
O caminho é um fardo
A estrada é uma mó

Quem sabe o peso
Que carrego a dias
Desse olhar, meu guia
Silvo e ensejo

Pés doídos, cheios
Da estrada me alheio
Ir avante? Não sei

Passos vagos, sem lei
No fim, pó das rotas
Cego de várias botas

Poema 163 - A Roda

Gira a roda afoita
Aonde irá? Ficará?
A roda (viva) se acoita
Vão-se os dias, viverá?

Na estrada, percalços
Romperam os atilhos
Vieram os gatilhos
A roda, em remorsos

Começo e fim da roda
Coitada, tão fora de moda
Pregos e retalhos

Cinzalada sem afinco
Estrias de zinco
Na esfera de aço

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Poema 162 - Mente Vazia

Branca é a mente
Mente em preto
A cor, mero arremedo
Vazio da alma da gente

Desse estado autômato
De dias em sucessão
Das tarefas sem conclusão
Da vida presa em atos

Mente vazia, atos cheios
Pensamento sem freios
No vazio dos dias alheios

Segue a vida assim lotada
A mente branca embotada
A mente negra privada