sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Poema 47 - Da Solidão Nihilista ao Humanismo Intimista

 
Eis tu musa, salva-me do nihilismo
Preso no vazio, sou espetáculo
Ansioso por preencher o vácuo
Conduza-me de volta ao humanismo
 
Solidão, um oceano de vastidão
É um peso vazio no peito
Na multidão sentir seu efeito
Ser obrigado a correr, sem ter paixão
 
Tossir, engasgando-se na tristeza
Encontrando mãos frias, já sem firmeza
Revivendo o ciclo de minhas culpas
 
Prisioneiro da angústia, dissabor
Frágil fugitivo da luz e do calor
Só neste espaço de trevas tão curtas
 

Poema 46 - Convite Turístico

 
Vem agora, já, foge daqui comigo
Te desprende, larga tudo, sem pensar
Não hesites, não se deixe questionar
Viajar! Adeus mundo combalido!
 
Fostes seduzida pela minha vida
Sempre de aventura em aventura
Não posso parar, sou pirata sem cura
Seja meu par nesta terra desmedida
 
Sequestro e rapto farei contigo
Veremos o céu azul no meu abrigo
No Deserto do Caos, Terra da Esfinge
 
Mas existe um teste que deves passar
Decifra-me ou irei a ti, devorar
Quando morrerá essa questão que finge?
 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Poema 45 - Permita-me


Permitam-me em vazão poder defender
O direito moral de ter opinião
Ouvindo sem preconceitos minha razão
Para todos na praça que quiserem ver
 
Permitam-me construir uma defesa
Para não criar opinião alguma
Sendo desta multidão mais uma pluma
Ser senso comum, gota na correnteza
 
Permitam-me ser volúvel, inconstante
Contradição enérgica, retumbante
Escolhendo minha própria permissão
 
Permitam-me sempre ter, não ter e mudar
Sem vossos preceitos fúteis a me tentar
Transpirando minha própria condição
 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Poema 44 - Para Sandra III


Sem minha clássica ironia
Faço uma simples elegia
Comentando-te em sintonia
Tuas sátiras de sinfonia
 
Tomastes as rédeas da vida
Sabes que a perda é sofrida
Aprendestes a rir das feridas
Secas as lágrimas na corrida
 
Desejo-te que tenhas meu ego
Meu sorriso, nada te nego
Estou sempre a te admirar
 
Vencestes mil sofridas batalhas
Apanhastes de frias navalhas
Teus olhos azuis não mais a chorar

Poema 43 - Para Bier II


Se o Binn e a Bier são o lado mau
Sorriso debochado sempre um chiste
Vinícius e Sandra o lado normal
Controlam àqueles com dedo em riste
 
A Bier é nitroglicerina
A Sandra, brisa de primavera
A primeira, ágil, tal qual fera
A segunda é mais colombina
 
As duas são uma só
E te conquistam sem dó
Algo apaixonante
 
Assim, montes tua defesa bem
Ou serás esmagado por um trem
Com tanta vida é viciante

Poema 42 - Para Sandra I


O que conseguiria eu dizer
Da sapeca loira fenomenal
Com seu debochado jeito legal
Que me faz para ela escrever
 
Minha contra-parte feminina
No encontro dos olhos, explosão
Nas madrugadas de reunião
Deslizas tua graça felina
 
Foi um incrível olho-no-olho
No primeiro embalo dos sonhos
Que nos entretemos a conversar
 
Surge uma química perfeita
Toda nossa tristeza desfeita
Quando nos juntamos à delirar
 

Poema 41 - Preços e Lobos


Lobo! És o homem do próprio lobo!
Vestes tuas peles de cordeiro
Dos frutos podres, és sementeiro
És sorrateiro, vil, enganas os tolos
 
És senhor visceral da triste verdade
De que todos temos nosso preço
Cada um sabe os seus apelos
Somos compráveis pela sociedade
 
Caças em matilhas nossa dita honra
Na jugular fazes brotar a vergonha
Com ofertas de selvageria
 
Nossa alma abatida, já cansada
Escorrido meu sangue em tua taça
Te banhas na minha agonia