domingo, 18 de fevereiro de 2007

Poema 50 - A Dor Universal

A dor universal
Todos já a sentiram
De tão profunda é visceral
E sofrê-la, todos desejam

Rasga tuas entranhas
Entorpece teus sentimentos
Um jogo em que não se ganha
E só restam lamentos

Mas quando ela passa
Algo nós resta
E nos enche de graça

Fazemos festa
Explodimos em cores
Curando as dores

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Poema 49 - Vielas da Vida

 
Pobre daquele pequeno cão
Jogado, morto, largado
Teve o corpo soçobrado
Na vida foi pego na conta-mão
 
Trajou-se com peles, pêlo, couros
Teve belas patas enluvadas
Riscou o céu nas cartas marcadas
Fruto da ganância dos loucos
 
Viveu nas brigas de famílias
Não raro foi pedir-lhes comida
Sendo fortemente maltratado
 
Perguntava-se já quase morto
Com o frágil corpo já torto
"O que será que fiz de errado?"
 

Poema 48 - Eu, Nu em Fatias

 
Desisti de tentar me entender
Agora apenas me aceito
Capacitei-me assim perfeito
Quem souber explique o conceito
 
Sou normal, ainda que insano
Sou pouca carne e muito pano
Desdobrarei-me redecorando
Vejo dobras, não as reconheço
 
Dentre vários pecados graves
Sou apenas emoção que arde
Disparo fragmentos de caos
 
No cerne, a muralha da ordem
Chora sua solidão disforme
Protegendo-se de todo o mal
 

Poema 47 - Da Solidão Nihilista ao Humanismo Intimista

 
Eis tu musa, salva-me do nihilismo
Preso no vazio, sou espetáculo
Ansioso por preencher o vácuo
Conduza-me de volta ao humanismo
 
Solidão, um oceano de vastidão
É um peso vazio no peito
Na multidão sentir seu efeito
Ser obrigado a correr, sem ter paixão
 
Tossir, engasgando-se na tristeza
Encontrando mãos frias, já sem firmeza
Revivendo o ciclo de minhas culpas
 
Prisioneiro da angústia, dissabor
Frágil fugitivo da luz e do calor
Só neste espaço de trevas tão curtas
 

Poema 46 - Convite Turístico

 
Vem agora, já, foge daqui comigo
Te desprende, larga tudo, sem pensar
Não hesites, não se deixe questionar
Viajar! Adeus mundo combalido!
 
Fostes seduzida pela minha vida
Sempre de aventura em aventura
Não posso parar, sou pirata sem cura
Seja meu par nesta terra desmedida
 
Sequestro e rapto farei contigo
Veremos o céu azul no meu abrigo
No Deserto do Caos, Terra da Esfinge
 
Mas existe um teste que deves passar
Decifra-me ou irei a ti, devorar
Quando morrerá essa questão que finge?
 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Poema 45 - Permita-me


Permitam-me em vazão poder defender
O direito moral de ter opinião
Ouvindo sem preconceitos minha razão
Para todos na praça que quiserem ver
 
Permitam-me construir uma defesa
Para não criar opinião alguma
Sendo desta multidão mais uma pluma
Ser senso comum, gota na correnteza
 
Permitam-me ser volúvel, inconstante
Contradição enérgica, retumbante
Escolhendo minha própria permissão
 
Permitam-me sempre ter, não ter e mudar
Sem vossos preceitos fúteis a me tentar
Transpirando minha própria condição
 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Poema 44 - Para Sandra III


Sem minha clássica ironia
Faço uma simples elegia
Comentando-te em sintonia
Tuas sátiras de sinfonia
 
Tomastes as rédeas da vida
Sabes que a perda é sofrida
Aprendestes a rir das feridas
Secas as lágrimas na corrida
 
Desejo-te que tenhas meu ego
Meu sorriso, nada te nego
Estou sempre a te admirar
 
Vencestes mil sofridas batalhas
Apanhastes de frias navalhas
Teus olhos azuis não mais a chorar