sábado, 29 de setembro de 2007

Poema 92 - Desgosto


O mal das pós-modernidade
É que tudo é questionável
Preciso de uma nova identidade
Pois esta de agora, é lamentável

Se me questiono a todo instante
Qual será a verdade insinuante
Posto que se é verdade e é real
Deveria sentí-la como tal

Mas busco e rebusco 
Isso é um fato constante
Não sei aonde me encontro

Enfim, chega desse lusco-fusco
Cansei desse questionar irritante
Fico só com meu desgosto e ponto

Poema 91 - Vida Nova


Nessas guerras cotidianas
Lutando contra nós mesmos
Escravos da vida mundana
Correndo no labirinto a esmo

Somos marionetes do mundo inconsciente
O despertar na ponta dos dedos, premente
Sair da casca é difícil, estamos dormentes
Depois da dor, germina a semente

Eis-me aqui, em gritos e berros
Finda uma vida, outra eu quero
Adeus este mundo do passado

Seja bem-vinda, vida nova
Mas não te aguardo
Vivo sincero, ainda que sem forma

Poema 90 - Homenagem ao Último Samurai - O Amor


O amor vem da cumplicidade
Cumplicidade do sorriso silencioso
De evento sem toque, mas harmonioso
O amor se irradia por sua simplicidade

Quando se ama, ama-se em expoente
Multiplica-se a sensação tão presente
Porque amar é sentir mesmo distante
Quem se ama a todo instante

Nesse amor, tão dificil, complicado
Misterioso, que se busca no ser amado
É tão fácil, tão simples, é o sorriso

Que vem do retorno ao lar, purificado
De viver de mundo em mundo, solitário
Enfim é o lar, quem se ama, paraíso

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Poema 89 - Revolução


Revolução

Sinto à tempos os ventos
da revolução me caustigando
as vezes é Gaia declamando
no mundo seus lamentos

Outros ventos são meus
Queda da Babilônia interior
Para construir a Shangri-lá de explendor
Acabando com meus fariseus

Em ti também percebo
O giramundo retumbante
em avanço pequeno, mas constante

Venham ventos sem demora
Destruir tais mundos de agora
Criar campos férteis de enlevo

Poema 88 - Aprendizado


Certas coisas se aprende
Mais pelo e para os outros
Quando a vida te joga na parede
Te fazendo sentir-se tolo

É como ser um filho
Só se aprende ao ser um pai
Quando o amor à outro vai
Vemos nosso próprio brilho

Contraditório isso, não?
Dizem: "Viva em plenitude!"
"Goze a vida em plenitude!"

Mas a vida está no caixão
Minha morte, para que outro viva
Só assim aprende-se sobre a vida

Poema 87 - Aprendizado II


O aço fica forte no fogo
A dor tempera o homem
Gostaria de ver outro nome
Ter o amor como jogo

Por que pela dor tem que ser
O aprendizado deste mundo?
Cadê o botão de mudo
Dos que não posso ver?

Existem outras opções
Não falo apenas sermões
Não é moral, cívica ou ordem

É a esperança que não morre
De sentir em fé algo mais
De precisar ver-te em paz

Poema 86 - Confusão


Sou frágil e pequeno
Arrogância, meu modelo
Neste ciberpunk pós-moderno
Acreditei no indivídual de inverno

Ganância, luxúria e egoísmo
Bebi com orgulho e heroísmo
Crendo em propaganda de microondas
Achei que justiça e amor eram bobas

Mas quiseram as virtudes
Pela dor, mostrar-me quitutes
Outros mundos, tão estranhos

Mas desconfiança eu entranho
Peço ajuda na reconstrução
Pois não sei viver em solidão